Por Lupi no ministério, PDT unifica discurso

Executiva, bancadas e diretórios do partido fecham questão em defesa da permanência do ministro no governo; faltou unanimidade para uma nota

EDUARDO BRESCIANI, EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h05

A cúpula do PDT unificou o discurso em reunião na noite de ontem em Brasília para defender a permanência de Carlos Lupi a frente do Ministério do Trabalho. Em encontro da Executiva Nacional, das bancadas na Câmara e no Senado e dos presidentes dos diretórios regionais, apenas dois dissidentes continuaram a defender a saída do ministro e a ampla maioria da legenda passou o recado de que apoia a decisão da presidente Dilma Rousseff de segurar Lupi até a reforma ministerial.

O presidente em exercício do PDT, deputado André Figueiredo (CE), afirmou que o ministro conta com apoio maciço da legenda. "De maneira uniforme ratificamos o apoio ao ministro Carlos Lupi", disse Figueiredo em entrevista ao lado dos líderes na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), e no Senado, Acir Gurgacz (RO).

Segundo os participantes da reunião, apenas o deputado Reguffe (DF) e o senador Pedro Taques (MT) defenderam a saída de Lupi do cargo e a retirada do partido do governo Dilma Rousseff. Também contrário à permanência do ministro, o senador Cristovam Buarque (DF) não participou por estar no lançamento de um livro de sua autoria. Todos os outros participantes - 18 deputados, 3 senadores e presidentes de 26 diretórios regionais - deram respaldo à permanência do ministro, que é também presidente licenciado da legenda.

Apesar da declaração de apoio, o partido não divulgou nenhuma nota formalizando a posição. Figueiredo disse que poderá ser feita uma manifestação oficial de apoio à permanência de Lupi e ao governo Dilma. Na reunião cogitou-se uma moção em favor do ministro, mas sem unanimidade a ideia não prosperou.

Enquadramento. Durante a preparação para a reunião, alguns dos aliados do ministro chegaram a defender o enquadramento dos dissidentes. Presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), disse após encontro com Lupi pela manhã que Reguffe, Taques e Cristovam deveriam sair do partido. "Se as pessoas incomodadas são tão éticas que não podem conviver com o Lupi deveriam pedir para sair".

A declaração foi mal recebida. Cristovam chegou a sugerir que Paulinho pedisse sua expulsão. "Defendo apenas que o Lupi e o PDT deixem o governo. Se o Paulinho é mais radical e quer minha saída basta apresentar um pedido de expulsão para que o partido decida." O próprio Paulinho recuou da pressão sobre os dissidentes e apoiou a avaliação de que é melhor deixá-los isolados.

De novo. O ministro participou de toda a reunião. Repetiu sua versão final sobre o polêmico voo no Maranhão realizado em dezembro de 2009 em um King Air providenciado pelo diretor da ONG Pró-Cerrado, Adair Meira.

Fundamentou sua defesa em manifestações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Na visão de Lupi, o Ministério Público já o teria inocentado no caso. O ministro saiu da reunião sem dar declarações à imprensa. O líder do PDT na Câmara afirmou que a reunião encerra a discussão do caso dentro do partido. "Não tem nenhum deslize moral ou ético que justifique a saída do Lupi do ministério", disse Giovanni Queiroz.

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