Por Haddad, PT intervém no Recife

Sigla oficializa candidatura de Humberto Costa na capital pernambucana; atual prefeito deixou reunião em SP afirmando que decisão 'contraria democracia'

RICARDO CHAPOLA , ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2012 | 06h39

O PT confirmou a candidatura do senador Humberto Costa à Prefeitura do Recife nas eleições de outubro. O nome do senador foi referendado por 12 votos a favor, 3 contra e 5 abstenções, ontem, durante reunião da Executiva Nacional do partido em São Paulo. O atual prefeito da capital pernambucana, João da Costa, que pleiteava concorrer à reeleição, chegou a participar da reunião, mas abandonou o grupo antes da decisão final.

Em nota, o PT defende o nome de Humberto Costa por reunir "as melhores condições para liderar" a campanha. "Emitir publicamente sua opinião política, já externada em sucessivas reuniões aos companheiros João da Costa e Maurício Rands, de que o processo político no Recife por eles conduzido se esgotou, e de que um terceiro nome para encabeçar nossa chapa é um imperativo de vitória", diz a nota.

A candidatura de Humberto Costa foi a saída encontrada pelo PT para romper o impasse na capital pernambucana e atender ao PSB do governador Eduardo Campos - que vetava a escolha do atual prefeito - para garantir o apoio do partido ao pré-candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.

Prévia. Com 52% dos votos, João da Costa venceu Maurício Rands - que era o preferido da cúpula petista e de Campos -, na prévia realizada no dia 20 de maio. A consulta foi anulada pela Executiva Nacional por suspeita de fraude, mas o prefeito ainda defendia sua candidatura.

Ontem, ao abandonar a reunião, ele se disse triste e indignado com a decisão, especialmente por ter vencido a prévia. "Não faria sentido eu participar de uma reunião em que haveria uma decisão prévia já tomada", disse o prefeito, que falou até em se desligar do partido.

Ele afirmou que a decisão do PT é de natureza política e que vai de encontro à maioria do partido no Recife. "A decisão da direção nacional, sem argumentos que me convencessem, é contraditória pelo desempenho que temos mostrado", desabafou. Criticou ainda a posição da Executiva, já que contraria a democracia. "É uma situação inusitada na história do Brasil e na do PT."

Manifestos. Antes da reunião, os grupos que defendiam a candidatura de João da Costa e de Humberto Costa enviaram manifestos à diretoria petista trocando acusações. O grupo pró-João da Costa chegou a chamar a intervenção no diretório municipal de "violência política desnecessária e injustificável, que ampliaria o desgaste do PT no Recife".

Já o grupo pró-Humberto Costa acusa o prefeito de "centralizador e personalista" e de ter tornado inviável a prévia "de forma consciente e planejada", com utilização de pressão, uso da máquina e do poder econômico. / COLABOROU ANGELA LACERDA

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