Por Haddad, Lula indica líder do PT na Câmara

Para ajudar campanha em SP e evitar uso do caso dos dólares na cueca na eleição, ex-presidente intervém e Guimarães cede em favor de Jilmar Tatto

DENISE MADUEÑO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2012 | 03h04

Com a disputa em São Paulo no foco principal e o mensalão de pano de fundo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva interferiu diretamente na escolha do novo líder da bancada do PT na Câmara, elegendo o deputado Jilmar Tatto (SP) em detrimento de José Guimarães (CE). A operação política de Lula garante maior engajamento de Tatto na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura e tenta evitar o uso do escândalo do mensalão pelos adversários em ano eleitoral.

Tatto foi um dos que abriram mão da disputa dentro do PT em favor de Haddad. Guimarães acabou envolvido na crise do mensalão, em 2005, quando era deputado estadual: um de seus assessores foi detido no Aeroporto de Congonhas (SP) com R$ 200 mil em uma maleta e US$ 100 mil escondidos sob a calça. O provável julgamento do processo do mensalão neste ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e seus eventuais reflexos na eleição já preocupam os petistas.

Na semana passada, Lula também atuou na bancada do PT no Senado para manter Marta Suplicy (SP) na vice-presidência da Casa, derrubando acordo que previa rodízio no cargo, e assegurar a participação da ex-prefeita no palanque de Haddad. Com os deputados, Lula fechou o acordo em conversa por telefone com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), patrocinador da candidatura de Guimarães, e com José Genoino, ex-presidente do PT e irmão de Guimarães, além do próprio deputado.

"São Paulo integra nosso projeto nacional, e a quebra de unidade da bancada comprometeria esse projeto em alto grau. Em 2012, é tudo pelo PT", disse Guimarães. "Podemos ganhar tudo, mas, se perdermos São Paulo, seremos derrotados."

Guimarães negou que o episódio do mensalão tenha influenciado a decisão da bancada. "Cedemos porque a bancada ficaria rachada. Não tenho dificuldades em defender nada", disse. Pelo acordo de ontem, Guimarães assumirá a liderança em 2013.

Vaccarezza. A escolha de Tatto foi mais uma derrota do grupo de Vaccarezza frente ao grupo do presidente da Câmara, Marco Maia (RS), de Arlindo Chinaglia (SP), ex-presidente da Câmara, e de Paulo Teixeira (SP), que deixou a liderança. Vaccarezza já havia sido preterido na indicação para a presidência da Casa nem assumiu o ministério de Relações Institucionais, como pretendia. "Não é uma derrota. Pelo contrário, é uma vitória do partido", desconversou Vaccarezza.

Ao ser anunciado como líder, Tatto afirmou que trabalhará em sintonia com a presidente Dilma Rousseff, "em um jogo combinado com o governo". Para o deputado, os temas prioritários do ano serão a reforma política, a distribuição de royalties do petróleo e a criação do Fundo de Previdência Complementar dos Funcionários Públicos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.