Por Haddad, Lula deve voltar ao rádio e à TV

Petista quer aparecer em programas populares para falar de sua recuperação e do pré-candidato

FERNANDO GALLO, DAIENE CARDOSO, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2012 | 03h03

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda aceitar convites de entrevistas feitos por programas populares de TV e rádio para falar da melhora de seu estado de saúde e, principalmente, elogiar o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Com isso, pretende ajudar a torná-lo menos desconhecido e turbinar a pré-candidatura do ex-ministro.

Lula e Haddad farão a primeira agenda conjunta na terça-feira (15), em visita à exposição Guerra e Paz, de Cândido Portinari, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

De mais de uma centena de pedidos de entrevista que sua assessoria recebeu desde que ele deixou a Presidência, Lula avalia aceitar três: o programa Debate do Paulo Lopes, da rádio Capital, o Programa do Ratinho, do SBT, e o Domingo Espetacular, da TV Record. O radialista Paulo Lopes e o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, são amigos do ex-presidente. O Domingo Espetacular é o programa que ocupa o horário nobre na TV Record.

Dos três programas, aquele em que interlocutores de Lula dão como certa sua participação é o de Paulo Lopes. O ex-presidente sempre apostou no rádio como veículo eficaz de comunicação, tanto que criou o semanal Café com o Presidente, programa do governo de seis minutos veiculado às segundas-feiras e transmitido por diversas emissoras de rádio no País.

Mesmo nos tempos da internet, Lula segue confiante no poder de propagação das informações veiculados no rádio entre as classes de mais baixa renda. Além disso, também durante sua gestão, Lula inaugurou a estratégia de conceder entrevistas em tom informal a emissoras de rádio regionais sempre que viajava a algum Estado brasileiro, tática agora levada adiante pela presidente Dilma Rousseff.

É isso o que explica o plano de ir a programas populares: a necessidade de aumentar o grau de conhecimento de Fernando Haddad entre esse público. As pesquisas eleitorais sobre a corrida paulistana indicam que os eleitores da periferia, historicamente a região da cidade onde o PT obtém seus melhores resultados, ainda desconhecem o ex-ministro da Educação.

O PT também pretende testar nessas inserções o aumento do número de eleitores que estariam dispostos a votar no candidato do ex-presidente.

Agendas conjuntas. Ontem, Haddad sustentou que ex-presidente recebeu autorização da equipe médica para ampliar suas atividades e pediu que a pré-campanha produza agendas entre ambos a partir da próxima semana. "O presidente terá algumas atividades e já pediu a minha presença nelas", frisou.

Os dois estarão juntos também em uma homenagem a Lula na Câmara Municipal, no dia 21, e no encontro de delegados do PT que referendará a candidatura de Haddad, no dia 2 de junho.

Na próxima terça-feira, além de irem à exposição, Haddad e Lula também deverão aparecer juntos, em rede nacional, nas inserções partidárias de TV e rádio que o PT dava como perdidas e conseguiu manter, em decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da última segunda-feira.

Haddad confirmou que Lula se dedicará nos próximos dias a tentar fechar aliança com PSB, PCdoB e PR. O ex-presidente convocou anteontem o comando de seu partido para se pôr a par das costuras e avisar que vai entrar em campo novamente para resolver as pendências.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.