Por Dilma, PT descarta desagravo a condenados

Sigla prioriza comparação com gestão FHC em comemoração dos dez anos no Planalto

TÂNIA MONTEIRO , VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h07

O PT não vai transformar o ato político de hoje, programado para comemorar os 10 anos do partido à frente do governo, num desagravo aos réus do mensalão. A polêmica sobre o assunto foi arquivada depois que os petistas resolveram usar a data para "vender" as realizações dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff para se contrapor aos tucanos.

Com a estratégia, o PT também quer defender Lula dos ataques que sofreu nos últimos meses de parte do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o operador do mensalão. O presidente do PT, Rui Falcão, disse ontem que petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão, como o ex-ministro José Dirceu, não estarão no palco, hoje, ao lado de Dilma e Lula.

"O palco é pequeno", justificou Falcão, ao negar o objetivo de evitar constrangimentos para o governo e problemas para a campanha presidencial de Dilma em 2014. "No palco só estarão os ministros, os representantes dos partidos aliados, Paulo Okamoto, que é presidente do Instituto Lula, Márcio Pochmann, da Fundação Perseu Abramo, eu, a presidenta e o ex-presidente Lula", avisou. Ex-presidente do PT, condenado pelo STF a dez anos e dez meses de prisão, e apontado como chefe da quadrilha, Dirceu ficará entre os demais convidados da festa.

Falcão disse ainda que o PT não usará o ato político para lançar a candidatura de Dilma à reeleição: "Ela é o nosso nome e será homologada no devido momento, no encontro do partido convocado para este fim".

Ao ser indagado sobre por que o mensalão não foi incluído no balanço do PT, Falcão disse que ainda há recursos em andamento. E atacou a oposição: "Nós também não fizemos menção à compra de votos no governo Fernando Henrique. Não falamos do mensalão do PSDB de Minas. No meu discurso, vou fazer um balanço político falando do ponto principal que eu acho que nos distingue dos antecessores, que é o fortalecimento da democracia brasileira e a colocação do povo como principal protagonista dessas mudanças". Ele disse esperar que, com os recursos impetrados, o STF possa fazer uma "reflexão mais ampla" sobre as penas dos petistas.

Além de Dirceu, no processo do mensalão foram condenados os deputados José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (PT) e o ex-tesoureiro Delúbio Soares.

No evento, os petistas vão distribuir uma cartilha de 15 páginas intitulada O decênio que mudou o Brasil. Nela, fazem uma comparação entre os dez anos de governo do PT, que chamam de desenvolvimentista, e os governos anteriores, definidos como neoliberais. O texto diz que "o desastre do neoliberalismo é contundente". Diversos indicadores comparam os dez anos de governo do PT com os oito de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A cartilha já ensaia o discurso do PT nas eleições de 2014. / COLABOROU FERNANDO GALLO

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