Por Dilma, Lula sugere abrir mão de candidaturas

Ex-presidente diz que PT deve apoiar aliados em alguns Estados para garantir reeleição ao Planalto

O Estado de S.Paulo

28 de março de 2013 | 02h04

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o PT deve ter a reeleição de Dilma Rousseff como "prioridade" em 2014 e que o partido pode abrir mão de candidaturas a governador para apoiar chapas do PMDB - principal aliado dos petistas no governo federal.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Lula afirmou que o partido deverá fazer concessões a outras siglas para garantir uma aliança forte para Dilma. "Nós temos que ter sempre como prioridade o projeto nacional. Ou seja: a primeira coisa é a eleição da Dilma. Não podemos truncar nossa aliança com o PMDB", disse Lula. O ex-presidente, no entanto, deu sinais de que o PT deve manter candidaturas em Estados onde o PMDB também tem projetos eleitorais, como Rio e São Paulo.

No Rio, Lula afirmou que o senador Lindbergh Farias (PT) "pode ser candidato sem causar problema" à aliança nacional com o PMDB - que deve lançar o vice-governador Luiz Fernando Pezão. "Acho que o Rio vai ter três ou quatro candidaturas e ele (Lindbergh), certamente, vai ser uma candidatura forte", disse.

Em São Paulo, onde o PMDB trabalha com os nomes de Paulo Skaf e Gabriel Chalita, o ex-presidente disse que o PT só apoiará seu aliado se o partido "tiver um candidato palatável". Skaf teve 4,6% dos votos quando disputou o governo estadual em 2010, pelo PSB, e Chalita responde a 11 inquéritos no Ministério Público por denúncias de corrupção.

"Nunca tivemos tanta chance de ganhar a eleição em São Paulo como agora", disse Lula.

Tabuleiro. A direção do PT admite abrir mão de candidaturas próprias em outros Estados para acomodar aliados, principalmente do PMDB. Os petistas não descartam apoiar peemedebistas em Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Ceará. "O PMDB tem lideranças locais que precisam ser respeitadas. Por isso é necessário o diálogo", disse o secretário de Organização petista, Paulo Frateschi.

No Rio, no entanto, o PT acredita que poderá manter a candidatura de Lindbergh sem prejudicar a aliança nacional com o PMDB. Mesmo que a disputa crie um mal-estar local, os petistas dizem que Pezão não abrirá mão do apoio de Dilma e pedirá votos para ela.

O presidente do PMDB, Valdir Raupp, diz que o confronto com o PT em alguns Estados é inevitável, mas afirma que a aliança com Dilma não deve ser abalada. "Todo partido que quiser se manter forte, quiser crescer, tem que lançar candidatos", declarou.

As costuras políticas estão emperradas por causa da indefinição dos rumos de Eduardo Campos (PSB), que estuda entrar na disputa presidencial. Se Campos abrir mão do projeto, o PT pode ter de apoiar candidatos a governador do PSB em alguns Estados.

2018. Na entrevista, Lula não descartou a hipótese de voltar a disputar uma eleição presidencial. "Vai saber o que vai acontecer nesse País, vai que de repente eles precisam de um velhinho para fazer as coisas. Não é da minha vontade. Mas em política a gente não descarta nada", disse.

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