Por debate final, candidatos param campanha antes

Tanto Dilma quanto Aécio interromperam nesta quinta agendas na rua; nesta sexta eles devem se limitar a dar entrevistas em hotéis

O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 21h52

A presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves iniciaram nesta quinta-feira, 23, a preparação para o debate da TV Globo, que será realizado na noite desta sexta, no Rio, a partir de 22h10. Cientes de que o último confronto direto é o momento de maior exposição dos candidatos ao Planalto antes da votação do 2.º turno, as campanhas da petista e do tucano cancelaram atos de rua e dedicaram um período maior para a preparação - normalmente restrita ao dia do debate.

A partir de sábado estão proibidos comícios e carros de som. Na véspera da eleição, os candidatos costumam optar por caminhadas silenciosas. 

Após intensa agenda nas últimas semanas, Dilma viajou para o Rio na tarde de anteontem - quando participou de uma caminhada com mulheres - e ontem passou o dia reclusa em um hotel na zona oeste da cidade, acompanhada de integrantes do alto escalão do seu governo e da campanha. No seu único compromisso, afirmou em entrevista coletiva, após a divulgação das pesquisas Ibope e Datafolha - que mostram que a petista abriu vantagem sobre o adversário -, ver “uma virada visível nas ruas”. 

Também na capital fluminense, Aécio gravou inserções para o último dia de propaganda na TV e teve um encontro rápido com o cardeal d. Orani Tempesta, arcebispo do Rio. Também em entrevista, o tucano procurou demonstrar otimismo: “Essa será uma eleição disputada, reconheço, mas vamos vencer. Há uma onda de mudança e meu ânimo não diminui. Tive notícias de eventos, nas últimas 48 horas, sem a minha presença, que não víamos desde as Diretas. Isso será avassalador até o próximo domingo.” 

O debate da Globo terá como diferencial uma arena de 80 eleitores indecisos, selecionados pelo Ibope. A plateia fará perguntas aos candidatos, que poderão caminhar livremente pelo estúdio. Em dois dos quatro blocos da transmissão, Dilma e Aécio ficarão também frente a frente e farão perguntas entre si. A expectativa é que o formato favoreça um debate mais comportado e propositivo.

De qualquer forma, o tucano se preparou para abordar três eixos: fracasso econômico, corrupção e má gestão do governo Dilma, disse o deputado federal Marcus Pestana, um dos coordenadores da campanha do PSDB. 

Para Pestana, o modelo do debate vai beneficiar Aécio. “Será igual ao modelo norte-americano, em que o candidato poderá circular pelo palco. O Aécio é muito seguro e há uma diferença brutal na preparação em comparação à Dilma. Ele não fica como um robô na mão de marqueteiro”, provocou. 

A intenção da equipe de Dilma é “jogar pelo menos para empatar”. Para um auxiliar próximo da presidente, “não é momento de fazer qualquer movimento que possa criar alguma marola e alterar a onda positiva (que atinge a campanha)”. Ontem, o clima no hotel em que estava hospedada a comitiva da presidente era de mais serenidade do que na preparação dos debates anteriores. Além de se preparar para o debate, Dilma aproveitou para tratar a voz. “Acredito que está havendo uma espécie de virada, há uma virada visível nas ruas”, disse a petista, para quem são movimentos “mais populares do que partidários”. Apesar do tom otimista, ela ponderou que o resultado da eleição “só estará consolidado quando fechar a urna e começar a apuração”. 

Nível. Dilma deverá nesta sexta continuar concentrada para o evento da noite, sem agendas oficiais, limitando-se a conceder uma entrevista coletiva à imprensa. Para o presidente do PT, Rui Falcão, Dilma vai procurar “manter um nível elevado” no debate, mas não vai aceitar provocações. 

Não há previsão de agenda pública de Aécio. A ideia é que ele também permaneça concentrado para o debate em seu apartamento, em Ipanema. É possível que o tucano conceda entrevista coletiva à tarde. 

“Vou dar uma última palavra aos indecisos”, afirmou o tucano, que adotou ontem um discurso mais agressivo do que o habitual e voltou a rebater as críticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É lamentável vermos o ex-presidente Lula se sujeitando a cumprir papel de protagonista dessa campanha sórdida e criminosa do ponto de vista dos ataques”, disse. “Ele sai dessa campanha como figura menor da política brasileira.” / TÂNIA MONTEIRO, ERICH DECAT, LUCIANA NUNES LEAL, MARINA SALLOWICZ, FELIPE WERNECK 

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