Beto Barata/PR
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Por coronavírus, Datena admite que pode desistir de candidatura: 'Não é minha prioridade'

Apresentador diz que 'papel como jornalista' tem sido mais importante na pandemia

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2020 | 10h26

BRASÍLIA - Pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo MDB, o apresentador José Luiz Datena admite que, mais uma vez, pode desistir de uma disputa eleitoral. O motivo agora, segundo ele, é a pandemia do coronavírus.  Em entrevista ao Estado, o apresentador disse que, diante das mortes e da crise econômica, a eleição não é mais sua prioridade e que o seu papel como jornalista tem sido mais importante para ajudar as pessoas.  

“Eu já estava em dúvida, mas agora (a eleição) não é minha prioridade. Eu não sei o que te dizer, o que te responder.  Não é minha prioridade, estou vendo tanta gente morrer, tanta gente passando fome, que não é minha prioridade. Estou vendo que meu papel como jornalista está sendo importante para ajudar as pessoas. Eu não sei se seria o momento de parar agora”, disse o apresentador ao Estado, em uma conversa por telefone.

Desde o aumento dos casos da covid-19, seus programas na rádio e na TV Bandeirantes têm recebido autoridades do governo para falar sobre a pandemia.  Ao todo, o presidente Jair Bolsonaro concedeu três entrevistas a Datena: uma no programa de rádio e outras duas no Brasil Urgente, programa no final da tarde na televisão. O presidente sonhava em ver Datena como seu candidato à Prefeitura de São Paulo, mas, em entrevista ao Estado em fevereiro, o apresentador revelou que tinha liberado Bolsonaro de apoiá-lo e destacou que não precisava estar alinhado politicamente a ele.

Para disputar as eleições municipais, Datena tem que deixar os programas até o dia 30 de junho. Na cobertura do coronavírus, ele tem ficado até seis horas no ar. “Três horas na rádio, três na TV. Acho que estou ajudado com meu papel de jornalista levando a informação. Nem faço mais cobertura policial. É só política e a cobertura do coronavírus”, disse, acrescentando que não mantém contato com o presidente fora do ar.

Datena admitiu que pode adiar a entrada na vida política para concorrer ao Senado em 2022, que era sua pretensão inicial ao se filiar ao MDB. “Hoje não me faria falta a eleição. Sei lá, talvez eu aguarde para mais tarde para o Senado, o que eu sempre quis”, afirmou.

Apesar disso, o jornalista disse não ter tomado uma decisão final sobre a Prefeitura. Diante da pandemia, segundo ele, todas as conversas sobre possíveis alianças estão suspensas. A possibilidade de sair como vice na chapa do prefeito Bruno Covas (PSDB) também não avançou.

“Nós não falamos mais sobre isso. Ninguém falou comigo sobre aliança. Se eu tiver que sair (candidato) sairia a prefeito mesmo pelo MDB. Mas não estou pensando nisso. E tenho a impressão que o prefeito (Covas) também não, porque ele está enfrentando uma pandemia”, disse.

Datena defende ainda a transferência do valor do fundo eleitoral, cerca de R$ 2 bilhões, para ajudar no enfrentamento ao coronavírus. “Os políticos deveriam pensar em abrir mão do fundo eleitoral. Reduz para R$ 1 bilhão ou o mínimo possível. Se for ter eleição, eu sou favorável de o cara fazer a campanha com telefone celular. Não dá para gastar um dinheirão com eleição um país que com certeza ficará com cicatrizes depois dessa pandemia.”

O apresentador tem um histórico de desistências de candidaturas, Em 2016, então filiado pelo PP, o jornalista desistiu de concorrer à Prefeitura de São Paulo. Em 2018, ele também voltou atrás após se lançar ao Senado pelo DEM. Ao assinar a ficha de ingresso no MDB, no dia 4 de março, em Brasília, disse ao Estado, que dificilmente não sairia candidato. “Dessa vez, eu acho que vou mesmo.”

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