Por contrato, candidato já deveria ter pago R$ 500 mil por bar

O candidato à Prefeitura de São Paulo Celso Russomano (PRB) já deveria ter pago, em abril, uma parcela de R$ 500 mil pela sociedade em um bar em Brasília avaliado em R$ 4,2 milhões, segundo documentos da Junta Comercia do Distrito Federal. O Bar do Alemão, às margens do Lago Paranoá, tem inuguração programada para novembro.

ALANA RIZZO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2012 | 04h26

Russomanno, porém, ainda não gastou nada no empreendimento. Em entrevista ao Estado publicada ontem, ele disse que pagará sua cota de R$ 1,4 milhão - maior da sociedade - trabalhando na administração do bar.

Se transformar em sócio do bar em Brasília dobrou o patrimônio de Russsomanno, que hoje é de R$ 2,2 milhões, segundo declaração entregue por ele à Justiça Eleitoral neste ano.

Pelo Código Civil, o sócio que não pagar por suas cotas pode ser afastado da sociedade. O primeiro secretário da Câmara dos Deputados, Eduardo Gomes (PSDB-TO), pai da principal sócia de Russomano, disse não saber se o candidato colocou dinheiro no negócio. "Você tem que perguntar para ele. Isso não foi discutido. Não fui provocado sobre esse assunto," afirmou.

Questionado sobre sua relação com os demais sócios, o parlamentar afirmou que os conhece "superficialmente." Gomes disse ainda que não faz a gerência do negócio e que a administração caberia ao candidato do PRB e a Hebert Steiner, responsável pelos restaurantes da rede Bar do Alemão em São Paulo.

Com patrimônio declarado de R$ 481 mil, o tucano teria que investir R$ 1 milhão até maio. Contudo, ele disse "não se recordar" quanto já pagou. "Estou no Tocantins. Precisaria consultar meu contador." O Estado não conseguiu localizar os outros sócios: Angelo Daldegan de Oliveira, Herbert Steiner, Augusto Ribeiro de Mendonça e Edison Donizete Benette. Pelo contrato, Steiner tem R$ 642.860 do capital da empresa. O valor precisa ser incorporado em 60 meses.

O restante do capital: R$ 2,5 milhões deveria ser pago pelos outros sócios à razão de 16,67% ao mês, num prazo máximo de seis meses. De acordo com o registro da Junta Comercial, todos os sócios são obrigados a obedecer o projeto apresentado pelos administradores. "Hebert Steiner e Celso Ubirajara Russomano declararam ter vasto conhecimento tanto na área administrativa, quanto na área operacional para a criação, desenvolvimento e execução da atividade comercial", disse Gomes. A assessoria de imprensa de Russomano não respondeu aos questionamentos da reportagem ontem.

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