Por cargo, PSDB evita confrontar campanha de Renan no Senado

Dois tucanos disputam vaga de primeiro-secretário da Mesa Diretora, responsável por um Orçamento de R$ 3,5 bi

EUGÊNIA LOPES, DÉBORA BERGAMASCO , O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2013 | 02h08

BRASÍLIA - Apesar do senador e presidenciável tucano Aécio Neves (MG) ter ido a público na segunda-feira, 28, pedir a renúncia de Renan Calheiros (AL), a bancada do PSDB evita confrontar o candidato peemedebista ao comando do Senado e parte dela até trabalha por sua vitória. Isso porque o PSDB quer manter o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora, uma espécie de "prefeito" da Casa, responsável por um Orçamento de R$ 3,5 bilhões.

Dois tucanos estão na disputa pelo cargo: os senadores Flexa Ribeiro (PA) e Cyro Miranda (GO). Aquele que não for para a 1ª Secretaria, será eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores.

O PSDB evita entrar em confronto direto e criar um "mal estar" com Renan, que provavelmente será eleito nesta sexta-feira para comandar o Senado pelos próximos dois anos. Depois da decisão da Procuradoria-Geral da República de denunciar Renan ao Supremo Tribunal Federal por suposto uso de notas frias em prestação de contas, os tucanos passaram a defender que o PMDB escolha outro candidato dentro da bancada.

Coube Aécio não só fazer críticas públicas a Renan, mas também articular a manutenção do cargo na Mesa, ressaltando que a proporcionalidade das bancadas na Casa precisa ser respeitada. Aécio defendeu, com isso, uma candidatura do PMDB, não necessariamente a de Renan.

Parte da bancada do PSDB do Senado apostava que uma divisão interna na disputa pela liderança do PMDB - existem hoje dois candidatos: Eunício Oliveira (CE) e Romero Jucá (RR) - poderia inviabilizar a candidatura de Renan. A expectativa dos tucanos era que essa disputa produzisse um "racha" no PMDB.

Mas a escolha de um outro nome do PMDB para disputar a sucessão no comando Senado dificilmente vai prosperar dentro do partido. A avaliação é que bancada peemedebista é hoje comandada com mão de ferro pelo grupo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e de Renan Calheiros. Um outro peemedebista tem chances ínfimas de viabilizar sua candidatura.

Enquanto Renan segue favorito na disputa pela presidência do Senado, os colegas de parlamento contrários ao seu nome quebram a cabeça para tentar, se não tirá-lo do páreo, ao menos dificultar sua vida, ou "promover o debate", como eles defendem.

Alternativos. Nesta quarta-feira, 30, os candidatos alternativos Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) se reunirão com os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF) no gabinete do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) para justamente pensar em um jeito de disparar mais assertivamente contra a propositura do alagoano.

"Não somos contra o Renan, somos contra a continuação no comando do Senado que ele representa. São 20 anos o mesmo grupo se alternando no poder. Isso aqui está parecendo a Rússia, com seu presidente e seu primeiro-ministro", reclama Buarque.

Taques e Randolfe estão empenhados em ligar para todos os senadores em busca de apoio. Como admitem que virar o placar é uma hipótese mais que remota, por enquanto não pretendem renunciar às candidaturas para, assim, ampliar ainda mais o debate. "Este é um jogo perfeitamente casado entre os dois por um projeto maior", confirmou Buarque.

O senador disse que se no dia da eleição o microfone da tribuna estiver aberto apenas para os candidatos ele e um grupo de senadores vão lançar suas candidaturas para terem o direto da fala, renunciando em seguida.

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