Por apoio do PSB, Dilma decide blindar ministro

A presidente Dilma Rousseff decidiu blindar o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e escalou o auxiliar como porta-voz da reunião realizada ontem, no Palácio do Planalto, para criar uma força-tarefa que atuará em áreas de risco de Estados afetados pelas chuvas. Dilma avaliou como "inconsistentes" as denúncias que apareceram até agora contra Bezerra e também não quer comprar briga com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), padrinho do ministro.

VERA ROSA , RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2012 | 03h04

Ao voltar a despachar ontem no Planalto, após as férias de fim de ano, a presidente fez questão de demonstrar que mantém a confiança em Bezerra. "Se eu não contasse com a confiança e apoio dela, não estaria aqui", disse o ministro aos jornalistas, depois de apresentar as diretrizes traçadas pelo governo para definir providências diante das fortes chuvas que castigam o Sudeste. "Estou tranquilo porque nenhuma das denúncias irá prosperar. O Tribunal de Contas aprovou todas as minhas contas."

Sob intenso fogo cruzado, Bezerra enfrenta uma série de acusações que vão de nepotismo a uso indevido de dinheiro público quando era prefeito de Petrolina, em Pernambuco. No dia 3, o Estado revelou que 90% das verbas da Integração para obras contra desastres naturais foram destinadas a Pernambuco, Estado natal de Bezerra.

Explicações. Dilma orientou o ministro a dar explicações públicas sobre as denúncias e acionou aliados para que saiam em sua defesa. Na quinta-feira, Bezerra prestará esclarecimentos a uma "comissão representativa" do Congresso, chamada assim por causa do recesso parlamentar.

Questionado se ainda pretende concorrer à Prefeitura do Recife pelo PSB, ele desconversou. "Eu te respondo isso na quarta-feira", disse, embora a sua ida ao Congresso deva ocorrer na quinta. Na prática, a pré-candidatura de Bezerra não passa de uma estratégia de Eduardo Campos para forçar o dividido PT a se entender na capital pernambucana, compondo com os socialistas.

Na semana passada, o ministro foi alvo de cotoveladas petistas. "Acho que a Defesa Civil tem de ser tratada como política nacional. Não pode ficar subordinada a interesses político-partidários aqui e acolá", afirmou o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT.

Aliado de Dilma, o governador de Pernambuco reagiu com irritação às estocadas de Vargas e insinuou que o PSB poderia dar o troco no PT nas eleições municipais. Diante do impasse, o presidente do PT, Rui Falcão, divulgou nota dizendo que as relações entre os dois partidos são "as melhores possíveis".

Sem querer se indispor com Campos, o deputado João Paulo Lima e Silva - um dos pré-candidatos do PT à prefeitura do Recife - também manifestou solidariedade a Bezerra. "Não vamos permitir que a adoção de providências necessárias e urgentes seja tratada como um mero privilégio de um Estado em relação aos demais", escreveu ele.

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