Por aliança, Alckmin 'sacrifica' candidatos

PSDB abrirá mão de candidaturas próprias no Estado em troca de coligações na capital

LUCAS DE ABREU MAIA, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h04

Ainda sem nome definido para a disputa na capital paulista, o PSDB pretende abrir mão de candidatura própria nas eleições municipais do ano que vem em algumas das principais cidades da região metropolitana em favor de partidos aliados. Em troca, o governador Geraldo Alckmin, que articula em São Paulo a política de alianças do PSDB para o pleito de 2012, espera receber o apoio de siglas como PSB, PP, PTB e PDT ao candidato tucano à Prefeitura paulistana.

Os tucanos admitem abrir mão da cabeça de chapa em três prefeituras do ABC e em Campinas. A articulação promovida por Alckmin mira também, no médio prazo, a construção de uma coligação que possa facilitar sua reeleição ao Palácio dos Bandeirantes em 2014.

A disposição do governador paulista em ceder a cabeça de chapa na campanha para importantes cidades da região metropolitana ficou clara quando ele sinalizou um possível apoio à candidatura do deputado Jonas Donizette (PSB), em Campinas.

O pedido de aliança foi feito pessoalmente a Alckmin pelo presidente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O tucano condicionou o apoio a Donizette a uma coligação PSDB-PSB em São Paulo.

A se confirmar o cenário desenhado, o partido pode também acabar sem candidato em Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

O PSDB negocia o apoio, em Santo André, à reeleição do atual prefeito, Aidan Ravin (PTB), mas enfrenta resistência dos tucanos da região, que gostariam de lançar o vereador Paulinho Serra (PSDB). O PT deve indicar o ex-sindicalista Carlos Grana para a eleição, cuja candidatura foi articulada pessoalmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - o que, na avaliação de interlocutores de Alckmin, deve diminuir as chances de um possível candidato tucano.

Mas é em São Bernardo - maior cidade do ABC - que o diretório local do PSDB deve impor mais dificuldade ao plano do governador. O deputado estadual Orlando Morando, que foi o candidato tucano à prefeitura em 2008, é o nome natural do partido para o pleito do ano que vem. Alckmin, contudo, cogita apoiar a campanha do também deputado Alex Manente (PPS), sob o argumento de que o PSDB tem poucas chances na cidade.

O atual prefeito Luiz Marinho (PT) deve concorrer à reeleição. Os tucanos alegam que a gestão de Marinho é mal avaliada pela população, mas admitem que o prefeito será ajudado pela considerável força política de Lula - o ex presidente é amigo de Marinho e cogita lançá-lo como candidato ao governo paulista em 2014. As pesquisas internas do PSDB, hoje, apontam o atual prefeito, Morando e Manente em empate técnico, com cerca de 26% dos votos cada um.

Entre as três cidades do ABC, São Caetano tem hoje o quadro político mais claro: a coligação do PSDB com o PTB do atual prefeito, José Auricchio Júnior, é dada como certa. Auricchio Júnior, que não pode se reeleger, deve indicar a correligionária Regina Maura Zetone.

Reduto. O entorno da capital, conhecido como cinturão vermelho, é considerado um tradicional reduto petista. Uma das primeiras medidas do governo Alckmin foi a criação da Secretaria do Desenvolvimento Metropolitano e do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano, vistos como ferramentas do tucano para diminuir a força do PT na região.

Tanto aliados quanto adversários do governador, contudo, afirmam que a capacidade de Alckmin de usar a secretaria e o conselho para fortalecer candidaturas do PSDB em 2012 é limitada. "Se ele evidenciar o uso político da pasta, esvazia o discurso da sua reeleição em 2014", opina um prefeito paulista.

Tucanos e petistas dizem que a intenção de Alckmin é menos fortalecer o PSDB que associar a marca do governo estadual à obras na região metropolitana, de olho na reeleição. Segundo este argumento, a política de alianças nas eleições do ano que vem seria um movimento para tentar assegurar apoio em 2014.

O presidente do PSDB em São Paulo, deputado estadual Pedro Tobias, afirma que é "muito cedo" para falar sobre o quadro eleitoral nos municípios da região metropolitana. Mas indica que a política de alianças deve ser prioritária: "Temos um adversário claro, o PT, e para derrotá-lo precisaremos de alianças".

A estratégia do governador, porém, enfrenta resistência das lideranças locais do PSDB. "Depois de 2008, quando desde o governador até o último secretário fez fila para pedir ao Alckmin que não se candidatasse à Prefeitura de São Paulo, ele não tem moral nenhuma para pedir a quem quer que seja que abra mão de ser candidato", disse um tucano, em referência a candidatura de Alckmin à Prefeitura paulistana em 2008, que contrariou o então governador José Serra.

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