Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Por aclamação e sem vice, PT oficializa Lula à Presidência

Em meio a incertezas, a presidente da sigla, senadora Gleisi Hoffmann, afirmou que candidatura será registrada em 15 de agosto

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2018 | 13h56

O PT oficializou a escolha do nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Lava Jato, para ser pela sexta vez o candidato do partido à presidência da República. Ao contrário de 1989, 1994, 1998, 2002 e 2006, a convenção que ratificou a escolha foi marcada por dúvidas tanto sobre as condições jurídicas de Lula ser candidato quanto sobre a composição da chapa petista. Da sala onde cumpre pena em Curitiba, é Lula quem vai dar a palavra final sobre a escolha do vice.

Lula foi aclamado por unanimidade pela convenção do PT realizada neste sábado na Casa de Portugal, em São Paulo. Em carta lida durante o evento, o ex-presidente defendeu o direito de ser candidato nas eleições 2018 e fez um apelo aos militantes para que o defendam na campanha presidencial.

No entanto, poucos dirigentes acreditam que o ex-presidente terá condições jurídicas de disputar a eleição e já trabalham com a perspectiva de um plano “B”. Condenado a 12 anos e um mês de prisão pelo TRF-4, Lula pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. 

A possibilidade de Lula não ser candidato permeou as negociações com possíveis aliados sobre a escolha do vice. Pressionado pelo Tribunal Superior Eleitoral a decidir a composição da chapa até amanhã, 24 horas depois do fim do prazo para realização das convenções, o PT se reuniu com a direção do PC do B para falar sobre as possibilidade de Manuela d’Ávila ser a vice e não descarta uma composição com o PDT de Ciro Gomes.

Apesar das negociações intensas nos últimos dois dias, Lula é quem vai dar a palavra final. O PT armou um esquema para que advogados possam conversar com o ex-presidente em Curitiba, levar as últimas informações e colher a decisão do petista.

Em reunião cm dirigentes petistas e advogados na sexta-feira, Lula se disse indignado com o que chamou de mudança de entendimento do TSE e classificou a pressão para antecipar a escolha do vice como um “cerco” para obrigá-lo a desistir da candidatura e desencadear o plano “B”. A estratégia original de Lula e do PT era estender as conversas sobre vice até o dia 15, quando encerra o prazo para registro de candidaturas.

Na conversa de sexta-feira, Lula orientou o PT a resistir e manter a estratégia original mas não fechou a porta para a indicação do vice até amanhã. Existem duas opções. Escolher um vice de outro partido, no caso Manuela, ou um quadro do próprio PT. Em reunião com a direção do PC do B, ontem de manhã, o PT voltou a propor que Manuela desista da candidatura, fique no "banco de reservas" e assuma a vice quando for definida a situação jurídica de Lula. Dirigentes do PC do B se reuniram para avaliar a proposta.

Se a decisão for indicar um vice do PT, os nomes cogitados são os do ex-prefeito Fernando Haddad, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro Jaques Wagner. Segundo petistas, a disputa sobre quem será o plano "B" tem atrapalhado a decisão sobre a escolha do vice. Um grupo que defende o nome de Haddad interpretou a atuação de Gleisi como tentativa de manobrar para que ela mesma seja a candidata.

Embora estivesse preso em Curitiba, Lula foi o vetor da convenção petista. Todos os oradores defenderam sua liberdade. As centenas de delegados que participaram do evento receberam máscaras com o rosto do ex-presidente e, em ordem com a direção, vestiram as peças aos gritos de “eu sou Lula”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.