Por 2014, Dilma estuda pôr Cabral na Esplanada

Mesmo com o desgaste do governador do Rio, ministério seria forma de reverter a iminente perda de apoio do PMDB à presidente no Estado

DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2013 | 02h06

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), que teve a porta de sua casa sitiada por manifestantes por mais de um mês e anda com a popularidade baixa, pode ser um dos escolhidos para ocupar uma pasta na reforma ministerial que a presidente Dilma Rousseff promoverá entre o fim de dezembro e o início de janeiro.

O governo quer garantir o maior número de palanques regionais para a petista em 2014. Dar uma pasta para Cabral comandar, segundo as contas presidenciais, seria um modo de reverter a iminente perda de apoio do PMDB a Dilma no Rio.

Como não pode mais disputar o Guanabara, o governador vai lançar à sua sucessão Luiz Fernando Pezão, seu atual vice, e pretende se descompatibilizar do cargo para dar mais visibilidade a seu indicado. Mas o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) já se movimenta para ser o candidato governista ao comando do Rio. Para pressionar, Cabral já disse que se Dilma quiser apoiar Lindbergh, o peemedebista não pedirá voto para ela e, pior, ameaça dar apoio a adversários da presidente.

Mesmo avessa a pressões, Dilma sabe que não pode ignorar a importância de obter o máximo apoio possível no Rio, o terceiro maior colégio eleitoral do País (11,8 milhões de eleitores). O raciocínio no Planalto é que uma pasta importante nas mãos de Cabral pode convencê-lo a aceitar que ela abrace dois postulantes no Estado.

Por ser ainda uma ideia embrionária discutida dentro do núcleo duro do governo, começam a surgir suposições. Uma que, avalia-se, casaria bem com o perfil de Cabral é o Ministério do Esporte ou o do Turismo, pois ele poderia capitalizar durante a Copa em 2014 e na preparação para a Olimpíada de 2016.

Dilma sabe que Cabral vive um momento de corrosão em sua imagem. Mesmo assim, ela estaria disposta a bancar sua nomeação para arregimentar mais apoio no Estado.

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