Tulio Kruse/Estadão
Tulio Kruse/Estadão

Por 2º turno, França elogia Doria e diz que só ele e Covas devem cumprir quatro anos na Prefeitura

‘Renunciar a mandato é coisa torta’, diz candidato do PSB, que tenta convencer eleitor de suas chances contra tucanos em confronto direto

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 13h56

Na briga por uma vaga no segundo turno das eleições pela Prefeitura de São Paulo, o candidato Márcio França (PSB) disse nesta quinta-feira, 5, que só ele e Bruno Covas (PSDB) têm condição de cumprir a promessa de ficar no cargo durante os quatro anos de mandato. Isso porque os demais concorrentes têm vices com cargos de deputados federais e estaduais, que terão de renunciar ao mandato para assumir o cargo de vice-prefeito - o que, na teoria do ex-governador, é sinal de que os titulares teriam de dar lugar aos companheiros de chapa em algum momento. 

França ainda chamou seu principal oponente nas últimas eleições, o governador João Doria (PSDB), de “aguerrido”, colocou-o como nome forte para a disputa presidencial de 2022, e disse que o oponente “tem méritos”. Ele também disse, no entanto, que o governador não tem a “sensibilidade social” necessária para o cargo.

O candidato do PSB não esconde sua preferência para disputar o segundo turno com o atual prefeito. Nas últimas semanas, a propaganda do partido tem alardeado que ele teria mais chances em uma disputa direta conta o tucano do que outros concorrentes.

“Todas as candidaturas principais têm alguém que vai descumprir palavra, exceto a minha e do Bruno (Covas), porque todos eles têm na chapa um deputado”, argumentou França. Ele usou a linha de raciocínio para uma crítica à vice do candidato Guilherme Boulos (PSOL), com quem está tecnicamente empatado mas pesquisas de intenção de voto. 

“Suponha que eu moro em Tatuí (no interior paulista) e votei na (deputada federal Luiza) Erundina. Se ela renunciar para ser vice-prefeita o meu voto foi desperdiçado”, disse França. “Renunciar a mandato é uma coisa que é ‘torta’ para a população”.

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A tese do candidato é que ele e seu companheiro de chapa, o sindicalista Antonio Neto (PDT), não têm nada a perder porque não ocupam cargo público. Já o vice de Covas é o vereador Ricardo Nunes (MDB), com um mandato que se encerra nesta legislatura. “O Covas já descumpriu (a palavra) porque era deputado e renunciou para ser vice, mas hoje não é mais e o vice dele também não.”

O candidato do PSB tem evitado se comprometer com um apoio explícito a um pré-candidato à Presidência em 2022. Apesar da aliança com o PDT de Ciro Gomes, França diz que o acordo entre os partidos foi claro ao não vincular um apoio na próxima campanha.

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Márcio França visitou na manhã desta quinta, 5, o Espaço Sociocultural Cisarte, que oferece assistência a moradores na região central de São Paulo, e prometeu oferecer moradia a toda a população desabrigada da cidade no prazo de três meses, caso seja eleito. A estimativa é que ao menos 25 mil pessoas estejam nessa condição na capital. 

A proposta do candidato é usar, como alternativa aos albergues, convênios da Prefeitura com hotéis e pousadas. Caso essa medida seja insuficiente, uma segunda opção é a hospedagem em colônias de férias subutilizadas ligadas a sindicatos. França diz estar apalavrado com donos de estabelecimentos e sindicalistas. 

“O (Antonio) Neto representa uma central sindical, o Paulinho (da Força, deputado federal) representa outra. Eu conversei com todos eles e, no caso de emergência, nos poderíamos ter o apoio deles”, disse o candidato ao Estadão. “Estive ontem no centro, na Galeria do Rock, e conversei com hoteleiros, a maioria também topa um acordo, se for para fechar o prédio todo, pensões pequenas. O que nós precisamos é ter uma solução rápida.”

Ele diz que a prioridade é arranjar alternativas emergenciais aos albergues, pois em muitos casos os moradores não podem ficar junto de familiares e animais de estimação. No caso dos hotéis e colônias de férias, a intenção é fornecer um espaço com privacidade em que o hóspede possa ficar com uma chave do quarto. “Estou supondo o número, mas digamos que a gente anuncie ‘a Prefeitura está passando R$ 75 a diária para quem se oferecer (a abrigar missões de rua). Tem gente interessada?’. Vai ter.”

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