Por 1 voto, prefeito eleito do PSOL se livra de processo interno

Partido discutiu punição a Clésio Luís por receber apoio de DEM e PSDB no 2º turno em Macapá, mas caso pode voltar a debate

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h05

Numa votação apertada, a Executiva Nacional do PSOL decidiu ontem não levar para o Conselho de Ética do partido o prefeito eleito de Macapá, Clésio Luís, e Edmilson Rodrigues, candidato derrotado à prefeitura de Belém. Clésio venceu a disputa com apoio do DEM e de parte do PSDB do Amapá. No 2.º turno, Edmilson teve como cabos eleitorais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

"Não foram feitas alianças, e sim adesões no 2.º turno", argumentou o deputado Ivan Valente (SP), presidente nacional do PSOL. "Acredito que não vão transformar uma vitória numa derrota. Acredito no bom senso da Executiva do partido. O 2.º turno é de recebimento de apoios, e não de alianças", afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), principal aliado de Clésio e também criticado por setores do partido por avalizar o apoio do DEM e do PSDB nas eleições de Macapá.

A Executiva do PSOL ficou dividida sobre os dois casos. Foram oito votos a favor da resolução que não prevê punições para Clésio e Edmilson, mas houve sete votos favoráveis à resolução que fazia duras críticas às alianças feitas pelos candidatos. O documento levava ambos para o Conselho de Ética do partido.

Uma eventual repreensão aos dois, no entanto, não está totalmente descartada. O Diretório Nacional do PSOL se reúne em 1.º e 2 de dezembro, em São Paulo, quando será feito novamente um balanço do desempenho do partido nas eleições. O diretório tem 63 integrantes. "Possivelmente vamos analisar esses casos novamente", disse Valente.

Clésio passou o dia reunido com a Executiva do PSOL dando explicações sobre a adesão do DEM e do PSDB à sua candidatura. O prefeito eleito derrotou o candidato à reeleição Roberto Góes (PDT), acusado de envolvimento com o crime organizado.

Forma. "Ele (Clésio) se comprometeu a construir um secretariado comprometido com a ideologia do partido", afirmou Valente. Para o deputado, o prefeito eleito e Randolfe erraram ao não fazer uma comunicação formal ao partido sobre os apoios que estavam sendo negociados no 2.º turno. "Eles erraram na forma", disse Valente. "Apesar das críticas internas, temos que comemorar o resultado."

A resolução aprovada ontem pela maioria do partido é a de que o PSOL saiu vitorioso com a eleição de 49 vereadores, sendo 21 em capitais, e 2 prefeitos. Além de Clésio, o partido elegeu Gelsimar Gonzaga para a prefeitura de Itaocara (RJ). Além disso, o PSOL também está decidido a lançar candidatura própria em 2014 à sucessão de Dilma.

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