Popularização da imagem de Dilma vira estratégia central do projeto de reeleição

Sucessão de 2014. Aconselhada pelo marqueteiro João Santana, presidente concederá mais entrevistas a rádios locais e vai anunciar investimentos em saneamento; hoje ela recebe no Palácio do Planalto o governador Eduardo Campos, possível rival no futuro

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

06 de março de 2013 | 02h05

Com a campanha eleitoral antecipada por seu próprio partido e diante de conflitos na base aliada por conta das aspirações políticas do PSB, a presidente Dilma Rousseff intensificou a estratégia de comunicação das ações do governo e já colocou em prática um novo estilo para se mostrar mais popular e menos "tecnocrata".

A presidente foi aconselhada a fazer mudanças pelo marqueteiro João Santana, responsável pela campanha de 2010 e que atuará em 2014. Ela segue agora o modelo criado pelo antecessor Luiz Inácio Lula da Silva e inicia uma série de entrevistas a rádios regionais para "vender" as obras de sua administração. Ontem, Dilma concedeu entrevista a duas rádios da Paraíba, retransmitida por mais de 30 emissoras locais, um dia após ter visitado o Estado. No dia 5 de fevereiro, já havia falado a uma rádio regional do Paraná. A última entrevista de Dilma para rádios - antes dessas duas - havia sido em 16 de fevereiro do ano passado.

Além da estratégia de comunicação, Dilma também se aproxima dos movimentos sociais e aposta em pacotes de bondades para marcar sua gestão e reforçar o slogan "O fim da miséria é só um começo", criado por João Santana e divulgado na festa de 33 anos do PT, na qual Lula lançou a sucessora à reeleição.

Em cerimônia marcada para hoje, por exemplo, Dilma vai anunciar pelo menos mais R$ 16 bilhões para saneamento básico. A solenidade, no Palácio do Planalto, contará com 24 governadores, 18 prefeitos de capitais e 55 prefeitos de cidades com mais de 250 mil habitantes. O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, provável adversário de Dilma na disputa de 2014, é esperado na cerimônia.

O novo pacote de Dilma integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e prevê recursos não só para saneamento, mas também para mobilidade urbana e pavimentação - itens que aparecem como queixas dos eleitores em todas as pesquisas.

Depois de dizer, em João Pessoa (PB), que se pode "fazer o diabo" em eleição, Dilma vai se reunir, ainda hoje, com presidentes de centrais sindicais, seguindo outra recomendação de Lula para alavancar sua campanha.

A petista sempre foi avessa ao "varejo" da política, mas, em conversas reservadas, o ex-presidente a aconselhou não apenas a atender a reivindicações de movimentos sociais e centrais sindicais como a dar mais entrevistas para rádios regionais, fazer parcerias com prefeitos e governadores e levar parlamentares da base aliada em suas viagens.

Pesquisas. O marqueteiro João Santana já encomendou pesquisas de intenção de voto para medir a popularidade de quatro pré-candidatos "rivais" de Dilma. Além da presidente, estão incluídos na sondagem Eduardo Campos, o senador Aécio Neves (PSDB), o ex-governador José Serra (PSDB) e a ex-senadora Marina Silva, fundadora da Rede Sustentabilidade.

Com fama de "durona" e conhecida por usar termos técnicos, a presidente também tem caprichado no repertório mais popular, em busca da reeleição. Em João Pessoa (PB), na segunda-feira, ela falou em "cervejinha" e confessou adorar elogios dos eleitores. "Eu quero dizer para vocês uma coisa: fico muito feliz quando eu passo na rua e o pessoal diz assim: 'Ói ela!'"

No Planalto, porém, auxiliares de Dilma afirmam que ela não quer antecipar o fim do mandato e que suas declarações, muitas vezes, são mal interpretadas. Dizem, por exemplo, que ela ficou "muito contrariada" ao ler nos jornais que não havia deixado clara a intenção de reeditar a dobradinha com o vice Michel Temer, em 2014, ao participar da convenção do PMDB.

"Achamos que a declaração (da presidente Dilma) foi de bom tamanho. Ela citou o nome do Temer 12 vezes. Se falasse mais um pouco, seria crime eleitoral", disse o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO).

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