População protesta contra prisão de suspeitos por crimes eleitorais no RS

Segundo a polícia, acusados prometiam vantagens em troca de votos; prefeito seria um dos beneficiados

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2012 | 18h50

PORTO ALEGRE - A Polícia Civil prendeu três suspeitos de crimes eleitorais em Jaquirana, no nordeste do Rio Grande do Sul, e teve de enfrentar a revolta de parte da população da cidade contrariada com a operação, nesta quarta-feira, 31. Enquanto os acusados de comprar votos estavam dentro da delegacia, dezenas de pessoas protestavam do lado de fora exigindo a libertação deles. Os ânimos só se acalmaram depois de os três serem conduzidos ao Presídio Regional de Vacaria, na mesma região.

Na investigação, a polícia interceptou cerca de 15 mil ligações telefônicas com autorização da Justiça. O delegado Flademir de Andrade disse que um grupo operava como uma quadrilha de corrupção eleitoral com funções bem definidas. Os suspeitos prometiam vantagens como combustível, madeira, telhas, ranchos, pneus, peças de veículos e de aviões e dinheiro. Os valores podiam variar de R$ 50 a R$ 1 mil, dependendo da quantidade de votos de uma família.

Os beneficiados seriam o prefeito reeleito Ivanor Rauber (PP) e candidatos a vereador da coligação União por Jaquirana (Unijaq), formada pelo PP, PMDB, PPS e DEM. Foram presos o filho do prefeito, Ivan Lauro Rauber, o vereador reeleito Orestes Andelieri (PMDB), e José Evandro Pereira dos Reis, cabo eleitoral de um vereador do PP, que não teve o nome divulgado.

Os indiciados no inquérito ficarão sujeitos a penas que podem chegar a 25 anos, por crime eleitoral, transporte de eleitores, peculato e formação de quadrilha.

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