Política invade carnaval em Minas

Marchinhas ironizam prefeito e vereador

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2012 | 03h08

A sátira com ocupantes do poder é antiga. Mas, quando determinadas situações geram ondas de protestos na população próximas ao clima do carnaval, esse tipo de criação encontra terreno ainda mais fértil para proliferar. Foi o que aconteceu em Belo Horizonte, onde a ironia com os políticos locais deu o tom de duas marchinhas que conquistaram os foliões semanas antes do início oficial da folia.

O alvo de uma delas é o prefeito Marcio Lacerda (PSB). A Marcha da Estação, criada por Renato Villaça e João Basílio, tem como refrão "começa com 'm', termina com 'erda', adivinha o que que é'". Toda a letra é uma brincadeira com uma série de medidas adotadas na capital pelo Executivo, a começar pela proibição de eventos públicos na Praça da Estação, que deu origem a vários protestos .

A cantiga ainda ironiza o fato de o prefeito ter sido eleito por meio de uma aliança que uniu PSDB e PT.

"Perfeito como esse é a pura prefeição, ele é tão bão que agrada situação e oposição." A música ainda cita obras estéticas na capital, ao mesmo tempo em que critica os diversos problemas vividos pela população durante temporais no fim de 2011 e início deste ano. O prefeito não comentou.

A inspiração de uma outra marchinha popular na capital mineira surgiu após a divulgação de que o presidente da Câmara Municipal, Léo Burguês (PSDB), usou notas fiscais da empresa de seu sogro, para justificar gastos de R$ 62 mil de verba indenizatória com alimentação. Assim que a marchinha O lanche do Burguês - na coxinha da madrasta foi divulgada na internet, o vereador ameaçou o autor, o músico Flávio Henrique Alves, com uma ação de danos morais caso o material não fosse retirado do ar.

O efeito foi outro: a música caiu no gosto da população, já revoltada com os vereadores por causa do aumento de 61,8% nos próprios salários - projeto que acabou vetado pelo prefeito. Com frases irônicas , a marchinha proliferou e acabou premiada em concurso e cantada por praticamente todos os blocos que saem pela cidade.

Após a repercussão negativa, Burguês informou pela internet que sua "assessoria" apenas contestou o "conteúdo obsceno" da marchinha e que queria preservar seus familiares. "Não queria que fosse motivo de litígio. (Mas) é o dinheiro da população. Meu conceito de moral é diferente", disse ao Estado o autor da marchinha.

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