Política externa da era Lula pauta gestão Dilma

Presidente retrocede após primeiros meses de governo e adota mesma agenda internacional de antecessor, com foco nas relações com América do Sul

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h08

Com a troca de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Dilma Rousseff, a política externa brasileira mudou menos do que pode aparentar à primeira vista. Com menos pirotecnia, a agenda global da presidente Dilma, na essência, é praticamente a mesma de seu antecessor e continua com os mesmos objetivos: intensificar relações com os países da América do Sul e da África, sem deixar de lado as importantes relações com Estados Unidos, União Europeia e China.

A presidente Dilma também bate na tecla da necessidade de reformulação dos organismos multilaterais para que aumente o peso dos países emergentes nos seus processos decisórios. Mas, até agora, os resultados são pouco palpáveis, já que um dos principais objetivos, o de obter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, continua distante de ser alcançado. O governo comemora, no entanto, a aprovação da indicação de José Graziano para diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

"O eleitorado brasileiro colheu a continuidade. Não há por que romper com as linhas que estavam sendo trabalhadas", justificou o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em entrevista ao Estado.

"Continuamos muito empenhados com a integração sul-americana", disse ele, ao comentar o esforço exercido pelo ex-presidente Lula para unir os países da região. "Agora não é preciso mais investir tanta energia nesta integração porque a base já foi formada e podemos concentrar energia na abertura de novas avenidas", prosseguiu o ministro, ressaltando que não há afastamento das relações com a Venezuela, de Hugo Chávez, ou com a Bolívia, de Evo Morales.

O assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, endossa a tese de que nada mudou em relação aos vizinhos bolivarianos. "Muito pelo contrário. Ela (a presidente Dilma) tem enfatizado muito, nas conversas que tem tido com governantes da América do sul, que o Brasil quer associar seu desenvolvimento ao desenvolvimento da região", disse ele, repetindo o discurso que é usado por Dilma e era usado por Lula.

"O foco continua sendo América do Sul e África, mas com uma boa relação, ou uma relação entre iguais, repetindo a expressão que ela usou em Cartagena (Colômbia, na Cúpula das Américas, na semana passada) entre o Brasil e os países desenvolvidos", afirmou Garcia.

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