Policial que delatou fraude no Esporte recebeu de Agnelo

O extrato bancário do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, encaminhado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira mostra que o petista pagou R$ 7,5 mil para o policial militar João Dias Ferreira no primeiro semestre de 2008. Ferreira foi o delator do esquema envolvendo irregularidades no repasse de verbas do Ministério do Esporte para organizações não governamentais ligadas ao PC do B. Agnelo comandou a pasta entre 2003 e 2006.

ROSA COSTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h08

Os dados foram remetidos à CPI pelo Banco de Brasília (BRB), após o depoimento do governador na comissão que investiga as relações políticas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Sigilos. No depoimento aos parlamentares, Agnelo autorizou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. De acordo com o Banco de Brasília, Agnelo fez três transferências de R$ 2,5 mil cada para o policial. A primeira em 01 de fevereiro de 2008, a segunda em 4 de março do mesmo ano e a última em 31 de março.

Os dados mostram também o depósito de R$ 5 mil feito pelo lobista Daniel Almeida Tavares, ligado ao laboratório União Química, na conta de Agnelo. Os parlamentares tiveram acesso ainda aos dados das contas do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Veículo. Em nota, o governador do DF informou que as operações financeiras com João Dias Ferreira dizem respeito à compra de um veículo usado - um automóvel Honda Civic, modelo 2006/2007.

A transação teria sido feita em fevereiro de 2008, mediante a entrega de 10 cheques nominais pré-datados, mas acabou desfeita pouco mais de dois meses depois, com a devolução do carro e a restituição dos cheques.

A assessoria do governador sustenta que a operação é absolutamente legal e que o governador não tentou escondê-la e ofereceu seu sigilo à CPI.

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