Polícia suspeita que ladrões já sabiam do cofre no comitê do PT

Funcionários contaram que bandidos armados já chegaram perguntando sobre o lugar onde estava o cofre.

Marcelo Godoy, Ricardo Galhardo e Fausto Macedo, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2014 | 22h10

A polícia suspeita que os três homens armados que roubaram R$ 50 mil do Comitê Financeiro Único da campanha do candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Alexandre Padilha, às 14h30 deste sábado, 27, tinham informações da existência de um cofre no imóvel, situado à Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, 4187, Ibirapuera, na zona Sul da cidade. Os ladrões invadiram o local já questionando as vítimas sobre o lugar onde estava o cofre.

Por enquanto, a polícia conta apenas com a descrição física de dois dos três assaltantes porque no comitê não há câmeras de circuito interno de monitoramento. Os bandidos levaram os cheques, todos do Banco do Brasil, além de objetos de 12 pessoas, inclusive um segurança, que estavam no local. Da analista de sistemas Suelem de Oliveira Santos foi roubado o carro, um Citröen C3 GLX Flex cor preta, modelo 2008.

Um dos assaltantes foi descrito  como um homem magro, branco, cabelos curtos, com um corte no supercílio, de aproximadamente 22 anos. O outro seria negro,  com cerca de 40 anos.

Segundo policiais, num primeiro momento um funcionário do PT teria declarado que os ladrões levaram R$ 50 mil em dinheiro vivo. Mas, no plantão da 14.ª Delegacia de Polícia foi registrado que o grupo levou apenas cheques. O representante do comitê, Antonio dos Santos, declarou que a numeração dos talões de cheques subtraídos será "posteriormente informada". Ele contou que foi surpreendido pelos ladrões que vasculharam o cofre e depois tomaram  dinheiro, celulares, relógios, alianças, das outras vítimas. Todos foram trancados em uma sala.

Segundo o presidente do diretório estadual do PT de São Paulo, Emidio de Souza, coordenador geral da campanha de Padilha os ladrões estavam "fortemente armados". Ele contou que sete funcionários foram trancados em um quarto enquanto a responsável pela parte contábil foi levada a outra sala e obrigada a abrir o cofre onde estavam cheques, vários deles assinados, usados no pagamento de pessoal e fornecedores da campanha.

Emídio negou que houvesse dinheiro em espécie no cofre. "Não acredito em prejuízo para a campanha, mas as pessoas ficaram muito assustadas", disse.

Este é o segundo crime do qual o PT foi alvo este ano. Em agosto a produtora onde trabalha a equipe do marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas de Padilha e da presidente Dilma Rousseff, foi alvo de um assalto à mão armada. Três homens invadiram o local, na Rua Áurea, na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo.

A produtora é a responsável pela gravação dos programas eleitorais do candidato ao governo paulista pelo PT, Alexandre Padilha, e também é usada para gravações com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de estar mais dedicado à campanha à reeleição de Dilma, Santana é quem coordena e determina as diretrizes dos programas do candidato petista no Estado.

Durante a ação dos criminosos, funcionários foram dominados e sofreram ameaças. Foram roubados telefones celulares e relógios. Os equipamentos foram poupados. No PT, a hipótese de crime por motivação política foi descartada.

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