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Polícia investiga racismo e ameaça de morte contra vereadora eleita em Joinville

Perfil falso de pessoas que se dizem integrantes da ‘juventude hitlerista’ publicou mensagens de ódio contra primeira parlamentar negra eleita para Câmara municipal

Fábio Bispo, especial para o ‘Estadão’, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2020 | 19h34

FLORIANÓPOLIS – A Polícia Civil de Joinville investiga caso de racismo e ameaça de morte contra vereadora eleita Ana Lucia Martins, do PT, primeira negra da história da Câmara municipal da cidade. Ela foi alvo de ataques racistas nas redes sociais após ter sido eleita domingo. Através de um perfil falso, pessoas que se dizem membros de uma denominada “juventude hitlerista” publicaram mensagens de ódio e com ameaças de morte. “Agora só falta a gente m4t4r el4 e entrar o suplente que é branco (sic)”, dizia uma das mensagens.

Ana Lucia Martins registrou boletim de ocorrência e na tarde desta quarta-feira, 18, prestará depoimento na delegacia. Ana foi eleita no domingo com 3.126 votos e foi a sétima mais votada na cidade. O caso está com a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI). O inquérito policial é conduzido pela delegada Cláudia Gonçalves.

Ainda no domingo da eleição, 15, as redes sociais de Ana foram invadidas e fotos e dados da biografia da candidata foram apagados. Ela ainda disse ter sido alvo de comentários velados por um radialista da cidade. “Ele deixou bem claro que o meu mandato não é bem-vindo em Joinville”, disse.

Professora aposentada, Ana Lucia Martins fez uma campanha pautada nas bandeiras do movimento negro e das mulheres negras. “Sabia que não seria fácil. Estava ciente que enfrentaria uma certa resistência em uma cidade que elegeu apenas na segunda década do século 21 a primeira mulher negra. Só não esperava ataques tão violentos e com aval de parte de pessoas que se declaram ‘profissionais da imprensa’”, escreveu Ana nas suas redes sociais.

Em Santa Catarina, pesquisadores apontam existir ao menos 69 células neonazistas de 340 espalhadas pelo País. Em outubro, professor Wander, Wandercy Antonio Pugliesi, de 58 anos, retirou sua campanha a vereador de Pomerode pelo PL após ser identificado como o homem que mantinha uma suástica estampada no fundo da piscina da sua casa. A imagem do símbolo havia sido fotografada em 2014, por um policial civil em um helicóptero.

Em janeiro deste ano, em São José, na Grande Florianópolis, a Polícia Civil também prendeu um homem que ostentava uma suástica na janela de casa. No imóvel foram encontrados livros e artigos relacionados ao regime nazista.

Recentemente, ao tomar posse como governadora interina, Daniela Rainehr (sem partido) teve dificuldades em dizer que não concorda com os ideais de seu pai, Altair Reinehr, que já escreveu artigos de teor antissemita negando a existência do holocausto judeu e outros crimes da Alemanha nazista. Após críticas, a governadora interina diz ser “contrária ao nazismo”.

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