Polícia flagra avião com R$ 500 mil e santinhos de candidatos do TO

Polícia flagra avião com R$ 500 mil e santinhos de candidatos do TO

Segundo delegado, presos chegaram a admitir que dinheiro seria para a campanha de Marcelo Miranda (PMDB) ao governo estadual

Marília Assunção, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2014 | 15h15

Atualizada às 20h57

Um bimotor que transportava R$ 504 mil em dinheiro e cerca de cinco quilos de santinhos (impressos) de dois candidatos às eleições no Tocantins foi apreendido nesta quinta-feira, 18, pela Polícia Civil de Goiás, durante uma operação de combate ao tráfico de drogas. O piloto tentou fugir, mas foi impedido pelos agentes. 

Os impressos têm os nomes de Marcelo Miranda, ex-governador do Estado que lidera a disputa ao governo no Tocantins, e do candidato ao cargo de deputado federal Carlos Henrique Gaguim. Ambos são candidatos pelo PMDB.

A assessoria de Miranda, que estava em campanha na manhã desta sexta-feira, 19, em Araguaína, no interior do Tocantins, respondeu que o candidato não iria se pronunciar sobre o assunto.

Foram presos Douglas Marcelo Alencar, de 38 anos, apontado como o líder do grupo; Marco Antônio Jayme Roriz, de 46 anos, motorista e segurança; Lucas Marinho Araújo, de 24 anos, estagiário de engenharia e apontado como o laranja do esquema; e o piloto da aeronave Roberto Carlos Maya Barbosa, de 48 anos. 

O delegado responsável pela operação, Ricardo Chueire, que comanda o Grupo Especial de Repressão a Narcóticos (Genarc) de Itumbiara, fez o flagrante em Piracanjuba, cidade a cerca de 85 quilômetros de Goiânia, na suspeita de que os envolvidos estivessem transportando drogas.

Na tarde desta quinta-feira, 18, equipes do Genarc de Itumbiara investigavam a ação de traficantes de drogas quando viram uma caminhonete Toyota Hilux, dirigida por Roriz, chegando a uma pista de pouso da cidade. Com a aproximação das viaturas, o piloto, que estava com o motor ligado, “tentou decolar, mas foi perseguido, abordado e impedido pelos policiais civis”, diz o delegado. O bimotor prefixo PR-GCM seria de um empresário tocantinense do ramo da construção civil, amigo de Marcelo Miranda.

Destino. De acordo com Chueire, foram encontrados no interior do avião R$ 504 mil em maços ainda com os invólucros da Caixa Econômica Federal. “Havia também farta quantidade de santinhos”, disse. O dinheiro teria sido sacado em uma agência de Piracanjuba, cidade que não constava no plano de voo da aeronave, de acordo com o delegado. O avião seguiria para a capital, Palmas, com o dinheiro e o material publicitário apreendido.

“Assim que fizemos o flagrante, eles (os presos) confirmaram que o dinheiro era para a campanha eleitoral (de Miranda), mas na presença do advogado eles negaram isso”, informou Chueire. 

No depoimento, os envolvidos, menos o piloto, afirmaram que o dinheiro era de um empréstimo feito em Brasília, usando a conta do estagiário Lucas emprestada. Já a polícia investiga se o “laranja” do esquema é o estagiário, cuja conta bancária teria sido usada para movimentar o volume encontrado.

A reportagem não conseguiu contato com o advogado dos presos que foram autuados por lavagem de dinheiro, associação criminosa e crime tributário.

Cassação. Pesquisa recente, realizada pela TV Anhanguera, aponta que Marcelo Miranda tem 48% das intenções de voto no Tocantins, contra 33% do segundo colocado, Sandoval Cardoso (SDD), sinalizando chances de vitória no 1.º turno. De acordo com a sondagem, o ex-governador é rejeitado por 22% do eleitorado. 

Miranda, que já foi governador do Tocantins por dois mandatos, foi cassado em 2009 pelo Tribunal Superior Eleitoral acusado de, nas eleições de 2006, compra de votos, abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação, ficando inelegível por oito anos. A inelegibilidade do candidato ao governo vence no dia 1.º de outubro, às vésperas da eleição do dia 5.

A Justiça Federal, a pedido do Ministério Público Federal do Tocantins, decretou a indisponibilidade dos bens de Miranda esta semana. O motivo é a suspeita de desvio de mais de R$ 20 milhões em supostos esquemas de desvio de verba por meio de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) durante seu mandato, entre 2003 e 2009.

Reposta. Sobre a apreensão de aeronave e a prisão de quatro pessoas em Piracanjuba (GO), a Procuradoria Regional Eleitoral do Tocantins, por meio da assessoria de comunicação, informou que acompanha o caso, mas só vai se pronunciar quando tiver acesso aos dados da Polícia Civil de Goiás. O candidato ao Palácio Araguaia e ex-governador Marcelo Miranda (PMDB-TO) disse, também pela assessoria, que não comentaria o assunto por não ter nenhuma ligação com o caso. O ex-governador Carlos Gaguim (PMDB), que pleiteia uma vaga de deputado federal, divulgou nota dizendo que não tem nenhuma relação com o dinheiro, nem vínculo com os envolvidos. / COLABOROU CÉLIA BRETAS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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