Polícia Federal sai em defesa de delegados no embate com MPF

Direção da corporação, em nota oficial, contesta subprocuradora e diz que delegado não pediu para ela 'segurar' investigação

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2012 | 03h04

A direção da Polícia Federal saiu ontem em defesa dos delegados Raul Alexandre Marques Sousa e Matheus Mella Rodrigues, responsáveis pelas Operações Vegas e Monte Carlo, que entraram em rota de colisão com o Ministério Público sobre a responsabilidade pela "paralisação" das investigações, em 2009, contra políticos. Em nota, afirmou que não partiu de integrantes da PF pedido para "segurar" as apurações.

Os dois delegados se reuniram por mais de cinco horas com o diretor-geral, Leandro Daiello, e com o diretor executivo, Paulo de Tarso Teixeira. A nota sustenta que em nenhum momento a PF pediu à subprocuradora Cláudia Sampaio (mulher do procurador-geral Roberto Gurgel) o "arquivamento ou o não envio da Operação Vegas ao STF". Em entrevista ao Estadão publicada ontem, a subprocuradora afirmou que a decisão de "segurar" a investigação Vegas foi tomada em conjunto com o delegado do caso.

A decisão teria ocorrido porque não havia, segundo ela, provas contundentes contra os parlamentares envolvidos com Carlinhos Cachoeira. Ao segurar a informação, a quadrilha, desavisada, continuou a operar, o que permitiu a reunião de provas mais contundentes.

Segundo a PF, houve três reuniões entre o delegado Raul Sousa e Cláudia Sampaio. As duas primeiras tiveram como objetivo a apresentação da operação policial e o encaminhamento dos autos à subprocuradora. O último encontro se deu em outubro, quando Cláudia informou não haver elementos suficientes para a instauração de investigação no STF e que opinaria pelo retorno dos autos ao juízo de primeiro grau.

"O delegado Raul não pediu à subprocuradora Cláudia Sampaio o arquivamento ou o não envio da Operação Vegas ao STF", enfatiza a nota da PF. A versão foi rebatida pela procuradora na entrevista.

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