Gabriela Biló|Estadão
Gabriela Biló|Estadão

'Pokémons' do Haddad causam ciúme no PT

Jovens assessores têm mais acesso ao prefeito do que direção petista e comitê da campanha à reeleição

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2016 | 05h00

Fred, Dedé, Laio, Gabi, Mari, Claudinho, Felipe, Alê e André estão na faixa dos 30 anos, têm sólida formação universitária, militam no campo da esquerda (a metade é filiada ao PT) e trabalham na Prefeitura de São Paulo. O que os diferencia da legião de jovens com as mesmas características é que eles integram um dos grupos mais próximos ao prefeito, Fernando Haddad, candidato à reeleição.

Segundo integrantes do comando da campanha de Haddad à reeleição, a turma de jovens só perde em influência para o núcleo duro da administração municipal formado pelos secretários Chico Macena (Subprefeituras), Jilmar Tatto (Transporte), José Américo (Relações Institucionais), Nunzio Briguglio (Comunicação) e Leonardo Barchini (Chefe de Gabinete), além do deputado Paulo Teixeira (tesoureiro da campanha).

Como a maioria deles trabalha no gabinete de Haddad - em cargos de confiança cujos salários variam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil - o acesso é mais fácil do que para a maioria da direção do PT de São Paulo e do próprio comitê de campanha, que precisam agendar encontros com o prefeito.

As conversas vão desde política até o uso das redes sociais, uma novidade para o petista que só foi abrir uma conta no Facebook em outubro do ano passado. Também é deles que o prefeito fila cigarros esporádicos – Haddad voltou a fumar no fim do ano passado.

Anteparo. A intimidade que atropela as instâncias partidárias aliada ao estilo centralizador do prefeito no comando da própria campanha despertaram a contrariedade de parte do PT. Os petistas, que batizaram o grupo ironicamente como os “Pokemóns do Haddad”, alegam que o prefeito usa os jovens como anteparo para críticas internas e delega a eles funções que seriam do comando da campanha.

O PT tem cobrado do prefeito maior visibilidade para as marcas do partido e um discurso mais focado na parcela do eleitorado que mora na periferia e historicamente votou na legenda e hoje está dividida entre as ex-petistas Marta Suplicy (PMDB) e Luiza Erundina (PSOL).

“Eles só concordam com tudo o que o Haddad diz”, afirma um dirigente do partido.

Já os jovens rejeitam a classificação de “grupo político” e preferem ser chamados de a “turma de 2012”, em referência à campanha eleitoral daquele ano, quando se aproximaram do prefeito.

É o caso de Frederico Assis, o Fred, assessor especial, e Felipe Teixeira, assessor da secretaria de Gestão. Formados em Relações Internacionais pela USP, eles estavam em um grupo de dez jovens que abordou Haddad ainda na pré-campanha em 2012. Se filiaram ao PT, ajudaram a eleger o prefeito e foram chamados para integrar o governo.

Na Prefeitura, conheceram Mariana Doher, a Mari, também formada em Relações Internacionais, que apesar dos apenas 27 anos comanda a elaboração da agenda do prefeito, André Kawak, economista, também assessor especial, Gabriela Gambi, a Gabi, outra com formação em RI e com passagem pela London School of Economics, André Tredezini, o Dedé, Alexandre Ferreira, o Alê, e Laio de Morais.

Os três últimos, formados em Direito, são amigos de Frederico, filho do prefeito. Alê e Dedé presidiram o Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade do Largo São Francisco, presidido pelo próprio Haddad em 1985.

A exceção é Cláudio Silva, o Claudinho, coordenador de Políticas para a Juventude, vindo da favela Monte Azul, que chegou à Prefeitura via diretórios zonais do PT. Segundo assessores de Haddad, foi dele a ideia de presentear o Papa Francisco cm um disco dos Racionais MC's, em julho.

Relações horizontais. Para assessores do prefeito, a presença dos jovens dá um frescor à imagem de Haddad e reforça a impressão de político inovador fortalecida em três anos e meio de governo.

O prefeito defende a presença do grupo alegando que se trata de jovens com boa formação técnica, afinidade ideológica e muita disposição. A interlocutores, nesta segunfa-feira, 5, Haddad disse que sempre gostou de relações horizontais com seus subordinados. “Nunca fui afeito a hierarquia”, afirmou.

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