Poderes apelam à internet para 'ouvir o povo'

As manifestações de junho obrigaram os Poderes a criar formas alternativas de comunicação com os cidadãos e eleitores. Ontem, foi lançado o Portal do Congresso Nacional com objetivo de "ampliar a sintonia com a sociedade". Os internautas poderão acompanhar votações e fiscalizar o Parlamento. Hoje, a presidente Dilma Rousseff lança um "canal de diálogo" para discutir políticas públicas relacionadas aos jovens e ampliar a participação desse público.

Lilian Venturini, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2013 | 02h05

O Observatório Participativo da Juventude estava em desenvolvimento havia dois anos, mas teve o lançamento anunciado no fim de junho, após a intensificação das manifestações ocorridas em todo o País.

Pelo site, a Secretaria Nacional de Juventude, responsável pelo projeto, espera criar um ambiente de produção e divulgação de conteúdo, além de debates sobre a temática juvenil e avaliações das políticas públicas adotadas. Segundo a secretaria, o objetivo é que jovens não ligados a movimentos sociais tenham um espaço de participação. Qualquer internauta poderá sugerir temas e postar conteúdo na plataforma, integrada com redes sociais.

Apesar de ainda não estar lançado oficialmente, ontem já era possível acessar o site. Entre os debates sugeridos pela equipe do Participatório, como é batizada a ferramenta, estavam temas como a reforma política e perguntas do tipo "O que falta na sua cidade?".

Chapa branca. Na avaliação do cientista político Eduardo Brito da Cunha, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), abordagens desse tipo, em vez de aproximar, podem afastar os jovens. "O site tem um conteúdo chapa-branca e os interlocutores vão perceber isso." Para ele, o governo deveria estar atento aos ambientes e redes sociais onde os jovens estão habituados a conversar. "O governo tem que ir ao espaço apropriado e não esperar que o público se desloque", diz.

Amanhã o governo lança outra ferramenta de consulta pública pela internet. A ideia é que os cidadãos opinem sobre políticas de participação popular.

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