Poder e prestígio, mas os federais se dizem infelizes

Pesquisa inédita da Federação dos Policiais Federais mostra que 86,53% não estão satisfeitos na corporação

O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2013 | 02h03

Tantas operações espetaculares e glamourizadas pela mídia, prestígio e poder de sobra, mas infelizes da vida. É esse o cenário em parte da família da Polícia Federal, indica pesquisa inédita da Fenapef (Federação Nacional dos PFs), entidade que abriga 10 mil agentes, escrivães e papiloscopistas da corporação em atividade no País.

Os federais avaliam que 86,53% deles não estão bem no trabalho - só 13,47% se dizem satisfeitos. Um universo de 97,84% alega que não lhes são conferidas as mesmas oportunidades de crescimento profissional, enquanto 90,76% informaram que se consideram "subaproveitados" e 76,23% não são motivados.

O critério político permeia a escolha dos que ocupam postos de chefia, dizem 75,64% - apenas 24,36% acreditam que as indicações obedecem a quesitos de mérito. Ao todo, 69,03% entendem que o ambiente de trabalho prejudica a saúde - 30,30% responderam que se submetem ou já se submeteram a tratamento psicológico ou psiquiátrico.

A pesquisa mostra que 68,2% deixariam a PF para atuar em outro órgão federal, desde que "com a mesma remuneração e regime jurídico" - e 77,92% não recomendariam a carreira a um amigo ou parente. "O resultado é surpreendente e se revela como sintoma de gestão que privilegia os cargos de delegado e perito, enquanto segrega as demais categorias", afirma a Fenapef, que se revela preocupada com "os alarmantes índices" de doenças psíquicas, desmotivação e até suicídios. A consulta ocorreu entre 6 e 11 de julho e alcançou a base de sindicalizados. Eles se manifestaram por mensagens eletrônicas - 2.360 responderam ao questionário, em 10 itens. / FAUSTO MACEDO

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