Poder de fogo reduzido

O PMDB é um pote só de mágoas, mas a extensa base governista e a alta popularidade da presidente Dilma Rousseff reduzem o seu histórico poder de retaliação no Legislativo neste momento. Afora malcriações de perfis mais intempestivos, como o do líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), o partido, por ora, pouco pode fazer para causar prejuízo concreto à presidente.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h03

Frustrada a proposta do empresário e conselheiro Jorge Gerdau de reduzir o número de ministérios, Dilma busca na reforma de setores estratégicos do segundo e terceiro escalões a eficiência de gestão que considera (com razão) urgente e indispensável para manter o índice de aprovação de seu governo.

Movida pela necessidade, mexe num vespeiro, pois é nessas instâncias que a partidarização da estrutura do Estado se dá de forma avassaladora. Casos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) ou a Transpetro são apenas dois entre centenas de feudos partidários de ineficiência.

Há muitos outros - e diga-se, a favor do PMDB -, distribuídos por todos os partidos da base, principalmente o PT. E é nesse ponto que a mágoa peemedebista aumenta: com razão, o partido avalia que seu maior concorrente na disputa por cargos está mais blindado pelo governo.

Com o governo politicamente forte, contexto que cala também a oposição, a expectativa de alguma reação é guardada pelo PMDB para 2013, decisivo para Dilma, já que 2014 será ano de campanha presidencial. É nessa hora que o governo recorrerá ao PSD de Gilberto Kassab, que hoje afaga ostensivamente.

Presidências,

estresse maior

Mais do que a perda de cargos, a convicção de que há estímulo do Palácio do Planalto para que o PT descumpra o acordo para as presidência das Câmara e Senado estressa o PMDB. O governo já foi aconselhado a se manter distante do processo deixando que eventuais tentativas de disputa ocorram dentro do ambiente legislativo. Do contrário, une o PMDB. No Senado, o partido identifica um estímulo ao senador Humberto Costa (PT-PE) e, na Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ele próprio candidato, não esconde que é contra o acordo que garante o posto ao atual líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), desgastado ao limite com os revezes junto ao governo.

Disputa no PDT

O PDT continua dividido sobre a sucessão no Ministério do Trabalho. O ex-ministro Carlos Lupi defende os nomes do secretário-geral, Manoel Dias, e do vice-presidente, deputado André Figueiredo (RJ). De outro lado, o deputado Brizola Neto (RJ), seu rival. A presidente Dilma só vai decidir quando voltar do exterior. "Paulistização"

É a perspectiva de ser cortejado pelo governo em 2013 que produz em alguns setores do PSD a sensação de que a guinada do prefeito Gilberto Kassab em direção ao PT foi precipitada e determinada por fatores restritos à sua sucessão e ao contexto das eleições paulistas. Há uma preocupação com a prevalência do interesse regional sobre o projeto estratégico de consolidar a legenda nacionalmente. Ainda sem os recursos do Fundo Partidário, o PSD não tem sede em Brasília e funciona exclusivamente em São Paulo, girando hoje basicamente em torno do prefeito e seu fundador.

Sem lugar ao sol

Pelo menos uma parte da bancada do PT, na Câmara, está insatisfeita com o presidente da legenda, Rui Falcão, por achar que ele não luta por um lugar no ministério para um dos 97 deputados que a integram.

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