PMDB tenta se blindar contra crescimento de Eduardo Campos

Partido luta para manter a vice presidência, com a repetição da chapa Dilma Rousseff/Michel Temer em 2014

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2012 | 02h07

A disputa por espaço político na base de apoio da presidente da República e na consolidação das legendas como indispensáveis para a governabilidade deflagrou uma guerra nos bastidores entre PMDB e PSB. O PMDB quer manter a vice presidência, com um repeteco da dobradinha Dilma Rousseff/Michel Temer em 2014, mas sabe que o crescimento do PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é uma ameaça real e imediata a essas pretensões.

Como resultado da desconfiança mútua os dois partidos entraram numa guerra e passaram a disputar palmo a palmo cada espaço dentro ou fora do governo. Na votação dos royalties do petróleo, por exemplo, seus líderes ficaram em posições opostas. Henrique Eduardo Alves, do PMDB, acatou parte do pedido do governo para que os royalties fossem destinados à educação; Sandra Rosado, do PSB, votou contra o projeto, defendido pelo governo. Os dois são do Rio Grande do Norte.

A disputa entre os dois partidos chegou também à presidência da Câmara. Henrique Alves trabalha para arregimentar o maior número possível de votos a seu favor, para que possa presidir a Casa do ano que vem a 2015. Ele tem o apoio dos principais líderes do PT. Mas o PSB está na disputa. Com autorização velada de Eduardo Campos, lançou a candidatura do deputado Júlio Delgado (MG) contra a do peemedebista.

Em retaliação, o PMDB abriu uma disputa pelo Ministério da Integração Nacional, hoje nas mãos de Fernando Bezerra Coelho, homem de confiança de Eduardo Campos. O partido considera-se sub-representado no governo de Dilma Rousseff. Reclama de que seus ministérios - Agricultura, Assuntos Estratégicos, Minas e Energia, Previdência e Turismo - não estão à altura da força que os peemedebistas têm dado à presidente. O da Integração Nacional cairia bem, insinuam.

Embate. Até nos despachos com a presidente Dilma Rousseff os dois partidos vivem em disputa. No dia 6, a presidente reuniu-se com a cúpula do PMDB. Dilma louvou as alianças entre os dois partidos também na eleição municipal que, segundo ela, permitiu vitórias em todo o País. No dia seguinte, de surpresa, ela teve um jantar com a direção do PSB para falar, também, sobre a eleição municipal. Como o partido de Eduardo Campos disputou com o PT em cidades importantes - e venceu -, a exemplo de Recife, Fortaleza e Campinas, Dilma procurou adotar um tom de conciliação. Afirmou que o clima de disputa havia passado e que era hora de o PSB reforçar a base governista.

Procurando se contrapor ao PMDB - e sabendo do apetite do partido por ministérios -, o PSB estocou o adversário logo que a eleição terminou. Divulgou nota - algo inédito na política - para dizer que está muito satisfeito com as pastas que tem e que não quer nenhuma outra. Além da Integração, o partido comanda a Secretaria Nacional dos Portos.

Diante desse clima, o PMDB se mexe. O ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco, um pensador do PMDB, entende que em 2014 a chapa Dilma/Temer será repetida, porque os dois partidos têm atuado muito bem em conjunto.

"PT e PMDB podem exibir resultados afirmativos da aliança de sustentação da presidente", disse. "Nós entendemos que é necessário manter essa coligação para 2014 e que deve ser repetida a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer. Não há por que mudar." Em 2018, sonha Moreira Franco, o PMDB estará preparado para lançar um candidato próprio à Presidência da República. "O PMDB tem uma herança muito forte para mostrar. Está presente em todo o Brasil e não tem dono". / J.D.

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