PMDB junta forças com DEM para encarar 2012

Temendo encolher na briga pelas cidades, os dois programam alianças em 10 Estados

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h04

O PMDB - ameaçado de perder 30% de suas prefeituras - e o DEM - que corre risco de sumir do mapa político brasileiro - começam a lançar pontes, um em direção ao outro, em pelo menos uma dezena de Estados. Pavimentam, assim, o caminho da sobrevivência nas eleições de 2012, e quem sabe até um plano B para a sucessão presidencial de 2014.

De um lado, o PMDB queixoso dos maus-tratos do governo e do PT busca na oposição alternativas para manter seu cacife político nos Estados. De outro, líderes do DEM, insatisfeitos com o PSDB, se empenham em mostrar que têm opção. Se tudo der errado, o PMDB surge como alternativa para uma fusão futura.

Foi com esse cenário que as cúpulas dos dois partidos, tendo à frente o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o senador José Agripino (DEM), iniciaram a negociação de parcerias fora das alianças nacionais com petistas e tucanos. A dobradinha é o recurso de ambos para se fortalecerem na briga pelas prefeituras, a partir de São Paulo e Rio Grande do Norte. Também há conversas na Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Pernambuco, Amapá, Ceará e Espírito Santo.

"O PSDB é nosso interlocutor preferencial, mas compulsório, não", diz Agripino, satisfeito com a aliança refeita com o PMDB potiguar em torno da governadora Rosalba Ciarlini (DEM). "Como já estamos juntos no governo estadual, vamos tentar compor no maior número possível de municípios", anima-se o deputado Henrique Alves (PMDB-RN).

Tempo de TV. Na corrida rumo à Prefeitura de São Paulo, Temer trabalha pela dobradinha com o DEM do deputado Rodrigo Garcia no posto de vice de Gabriel Chalita (PMDB). Determinado a comandar a reconstrução da regional paulista, Temer mira a campanha eletrônica. Afinal, o DEM pode garantir cerca de um minuto e meio a mais em cada bloco da propaganda eleitoral do PMDB no rádio e na TV, que gira em torno dos 2 minutos. O tempo de TV ganha relevância quando a cúpula peemedebista avalia que a troca de ministérios no governo Dilma Rousseff lhe foi desfavorável. Na comparação com a Era Lula, o partido entende que lhe faltam instrumentos para fazer política nos municípios.

Esta constatação é um estímulo a mais à aproximação, sobretudo diante de um DEM que também se sente desprestigiado pelo PSDB e não vislumbra no tucanato um projeto consolidado para 2014. Mas a motivação do PMDB também passa pela irritação com o governo que não libera os recursos de emendas orçamentárias para atender às bases.

O governo prometeu liberar R$ 1,5 milhão em emendas dos novos parlamentares e outros R$ 2 milhões para deputados reeleitos. As liberações estavam previstas para agosto, mas, até agora, os recursos não foram sequer empenhados. Um dirigente peemedebista afirma que "nunca antes na história deste País uma liberação demorou tanto".

Sem limites. "Os tucanos são os parceiros preferenciais, mas o PMDB é, sim, uma alternativa no Brasil inteiro", diz o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO). Na mesma linha, o líder do partido na Câmara, ACM Neto (BA), defende que o DEM amplie ao máximo o diálogo. "Não é saudável que fiquemos limitados. Ampliar é bom para o presente e, sobretudo, para o futuro." ACM Neto é um dos nomes para a Prefeitura de Salvador, mas pode se guardar para a disputa pelo governo estadual, em 2014, se houver acerto em torno da candidatura de Mário Kertz (PMDB).

"O PMDB capixaba está voltando ao leito natural de alianças, compondo com as forças mais de centro como o DEM", diz o presidente do diretório estadual, deputado Lelo Coimbra (ES). É em aliança com o DEM que o partido quer comandar as prefeituras de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana, que reúnem mais da metade do eleitorado do Estado.

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