PMDB está de olho no apoio de grupo petista em BH

Isolado na eleição municipal de Belo Horizonte, o PMDB está de olho no apoio do grupo petista contrário à coligação com o PSDB em torno da candidatura à reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB). Lideranças peemedebistas e dissidentes do PT se reuniram nesta segunda-feira em um restaurante da capital mineira para "tornar pública" a negociação que já vinha sendo travada nos bastidores. Lacerda deve ter um correligionário da presidente Dilma Rousseff como vice, mas o grupo dissidente, autodenominado Resistência Petista, ainda insiste no fim do acordo e deu prazo até 30 de junho para que os socialistas rejeitem a presença dos tucanos na coligação.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

23 de abril de 2012 | 18h24

Segundo o líder do PMDB na Assembleia Legislativa de Minas, o deputado estadual Sávio Souza Cruz, a negociação com os dissidentes do PT é "natural" porque a Resistência Petista é coerente com a postura histórica da legenda, que "convive com a incômoda presença do PSDB" e integra a oposição ao governo mineiro desde a eleição do tucano Aécio Neves para o Executivo estadual, em 2002. E novas conversas devem ocorrer nos próximos dias.

Para Souza Cruz, que disputa a candidatura peemedebista com o deputado federal Leonardo Quintão, um acordo com os petistas representa "identificação com o trabalho desenvolvido na Assembleia". "Mais que os votos dissidentes, queremos abrir um canal de diálogo com companheiros que estão na mesma trincheira política que nós há muito tempo. Queremos sinalizar para a cidade que pode existir uma candidatura que representa o que eles estavam querendo", afirmou, referindo-se aos petistas contrários ao acordo com o PSDB. "A rejeição aos tucanos é outro ponto em comum", completou.

Para o presidente do diretório municipal do PT, o vice-prefeito Roberto Carvalho, uma coligação com o PMDB seria mais correta porque "eles (peemedebistas) defendem o mesmo que nós, que é uma aliança da base aliada" do governo federal. "Sempre defendi que a aliança prioritária seria com os partidos da base. E o PMDB é o principal partido. Sempre que um aliado nos convidar, nós vamos conversar", ressaltou Carvalho, desafeto de Marcio Lacerda e um dos principais críticos da coligação com o PSDB.

Ele lembrou que os dissidentes do PT deram prazo até 30 de junho para que o PSB rejeite a presença dos tucanos na coligação, mas assumiu que acha "difícil mudar" a posição da direção socialista. No sábado (21), durante cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto, Lacerda confirmou que tem "certeza que vamos reeditar a relação de forças de 2008". Naquele ano, ele foi eleito com apoio do então prefeito Fernando Pimentel (PT) e do então governador Aécio Neves. Nesse caso, segundo Carvalho, militantes e simpatizantes petistas podem trabalhar pela candidatura peemedebista "independentemente da nossa vontade". "O PT não é dono da opinião da base nem do eleitorado. O PSB pode se coligar formalmente com PT e PSDB, mas os partidos não mandam no povo", concluiu.

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