PMDB e PT disputam 2º turno em Salvador; ACM Neto está fora

Em disputa acirrada, prefeito João Carneiro, do PMDB, consegue 30,97%, contra 30,06% de Walter Pinheiro (PT)

Tiágo Décimo, de O Estado de S. Paulo,

05 de outubro de 2008 | 20h10

A tática de polarizar as discussões em torno do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu certo em Salvador (BA). Os dois candidatos que se confrontaram ao longo da campanha do primeiro turno, em torno do tema "quem é mais amigo do presidente?", João Henrique Carneiro (PMDB) e Walter Pinheiro (PT) arrancaram na reta final, desbancaram o candidato que liderou as pesquisas durante toda a campanha - Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) - e avançaram ao segundo turno da eleição. A votação, porém, foi apertada.   Veja também: Confira as imagens da votação pelo Brasil Cobertura completa das eleições 2008 Perfil dos candidatos de Salvador  Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos     Carneiro teve 30,97%, contra 30,06% de Pinheiro e 26,68% de Neto. Antonio Imbassahy (PSDB) aparecia em um distante quarto lugar, com 8,36% e Hilton Coelho (PSOL), em quinto, com 3,94%. Um dado relevante na cidade foi a quantidade de abstenções: 22,15% dos 1.747.278 eleitores não compareceram para votar.   O resultado, apesar de positivo tanto para PMDB quanto para PT - partidos aliados tanto no governo federal quanto no estadual, comandado por Jaques Wagner (PT) -, cria certa apreensão nas lideranças petistas e peemedebistas no Estado. Nas duas agremiações, assessores não escondiam a preferência por enfrentar Neto no segundo turno, apesar de as lideranças não terem explicitado a opção. O motivo é a relação entre os aliados, que ficou bastante abalada durante a campanha, por causa das duras acusações feitas entre as partes.   Pouco antes de votar, em Camaçari, na região metropolitana de Salvador (BA), o governador Wagner voltou a dizer que acha improvável que Lula participe da campanha de Pinheiro no segundo turno, por causa da tensão criada entre os partidos. Depois, já ciente da pesquisa de boca-de-urna - que dava empate entre Carneiro e Pinheiro, com 31% cada -, disse que até sua própria participação precisa ser negociada.   "Tudo vai depender da combinação com o presidente e com o (ministro da Integração Nacional) Geddel Vieira Lima (líder do PMDB na Bahia)", afirma. "Claro que se ele (Geddel) for para o palanque de lá, eu vou para o de cá."   Geddel não colocou sua participação no segundo turno em dúvida. Pelo contrário: falou explicitamente sobre a estratégia para a eleição. "Vamos buscar as alianças que forem necessárias e a legitimação por parte do presidente para continuar a obra que está sendo feita pelo João", afirmou.   Apontado como maior derrotado da eleição, ACM Neto reconheceu a derrota antes mesmo de a apuração acabar, por volta das 19h30. Apesar do resultado, o deputado se disse satisfeito com sua participação, mas não falou sobre qual candidato vai apoiar. "Não existe uma naturalidade de apoio, porque os dois candidatos formam a base do presidente Lula, mas é evidente que existem diferenças ideológicas que podem levar a apoiar um candidato ou outro", afirma. "O que importa é que nosso resultado mostra que ainda temos muito a construir. Foi só minha primeira eleição majoritária, tenho 29 anos. Para o nosso grupo, foi muito positivo."   Dia de sol   Com o domingo de sol e calor em Salvador (BA), os eleitores acordaram cedo para votar e, seguindo a tradição dos últimos pleitos, aproveitar a praia logo depois. Ainda antes da abertura dos portões, às 8 horas, a calçada de um dos principais pontos de votação da cidade, o Colégio Luís Viana Filho, por exemplo, tinha mais de 100 metros de filas.   Os principais candidatos também aproveitaram a manhã para votar. O primeiro foi Pinheiro, que compareceu à zona eleitoral às 9h30, acompanhado pela mulher, Ana Pinheiro, e por lideranças de sua coligação na cidade, como o ex-ministro da Defesa, Waldir Pires, e de sua candidata a vice, Lídice da Mata (PSB).   Minutos depois, foi a vez de o candidato tucano chegar a sua zona eleitoral, também acompanhado pela família e por correligionários. Às 10h15, Neto chegou com uma enorme comitiva à Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Entre os integrantes, além da mulher, Lídia, e da filha, Lívia, de 1 ano, a avó, Arlete Magalhães, viúva de Antonio Carlos Magalhães; o pai, o senador Antonio Carlos Magalhães Junior (DEM), o ex-governador Paulo Souto, presidente do DEM na Bahia, e o senador César Borges, do PR. Todos votaram na seção.   Na chegada, aconteceu um incidente: um grupo de cerca de 20 militantes de Neto, a maioria com a camiseta do candidato, começou a cantar o jingle de campanha. A Polícia Militar teve de intervir.   No mesmo horário, o atual prefeito e candidato à reeleição, João Henrique Carneiro (PMDB), chegou a sua zona eleitoral. Cumprindo a promessa, o ministro Geddel Vieira Lima estava a seu lado. Ambos pegaram a fila de votação e conversaram com eleitores antes do voto de Carneiro. Dali, eles seguiram para a zona eleitoral onde vota o ministro.   Segurança    Pouco antes do encerramento da votação, a Secretaria da Segurança Pública baiana anunciou o balanço de suas operações no Estado. Ao longo do dia, 52 pessoas foram presas por crimes eleitorais na Bahia, 12 delas na capital. A maioria das prisões foi feita por prática da chamada boca de urna, mas houve casos de porte ilegal de armas e transporte ilegal de eleitores.   Em Salvador, o caso mais rumoroso foi o de um eleitor, José Carlos Barbosa, de 58 anos, que deu um soco no rosto do coordenador de sua seção eleitoral, na Faculdade de Arquitetura da Ufba, Gilson Menezes, de 68 anos, por ele ter deixado uma senhora de 72 anos passar a sua frente. Menezes acabou recebendo 15 pontos na boca.   Além disso, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) anunciou, logo após o fim da votação nos municípios baianos, que pela primeira vez na história do Estado nenhum eleitor teve de votar manualmente. Ao todo, 188 urnas eletrônicas, em 78 municípios baianos, tiveram algum tipo de problema técnico - 32 na capital, Salvador. Todas foram substituídas e a votação seguiu normalmente, segundo o TRE.   Os três vereadores mais votados do município foram Alan Sanches (PMDB), Sildevan Nóbrega (PRB) e Isnard Araujo (PR).   Atualizada à 1h40

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