PMDB e PSB medem força por mais espaço

Os dois partidos tentam se consolidar como indispensáveis ao governo da presidente Dilma

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2012 | 02h07

A disputa por espaço político na base de apoio da presidente da República e na consolidação das legendas como indispensáveis para a governabilidade deflagrou uma guerra nos bastidores entre PMDB e PSB. O PMDB quer manter a Vice-Presidência, com um repeteco da dobradinha Dilma Rousseff/Michel Temer em 2014, mas sabe que o crescimento do PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é uma ameaça real e imediata a essas pretensões.

Como resultado da desconfiança mútua, os dois partidos entraram numa guerra e passaram a disputar palmo a palmo cada espaço dentro ou fora do governo. Na votação dos royalties do petróleo, por exemplo, seus líderes ficaram em posições opostas. Henrique Eduardo Alves, do PMDB, acatou parte do pedido do governo para que os royalties fossem destinados à educação; Sandra Rosado, do PSB, votou contra o projeto, defendido pelo governo. Os dois são do Rio Grande do Norte.

A disputa entre os dois partidos chegou também à presidência da Câmara. Henrique Alves trabalha para arregimentar o maior número possível de votos a seu favor, para que possa presidir a Casa do ano que vem a 2015. Ele tem o apoio dos principais líderes do PT. Mas o PSB está na disputa. Com autorização velada de Campos, lançou a candidatura do deputado Júlio Delgado (MG).

Em retaliação, o PMDB abriu uma disputa pelo Ministério da Integração Nacional, hoje nas mãos de Fernando Bezerra Coelho, homem de confiança de Campos. O partido considera-se sub-representado no governo Dilma. Reclama de que seus ministérios - Agricultura, Assuntos Estratégicos, Minas e Energia, Previdência e Turismo - não estão à altura da força que os peemedebistas têm dado à presidente. O da Integração Nacional cairia bem, insinuam.

2014. O ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco (PMDB), entende que em 2014 a chapa Dilma/Temer será repetida, porque os dois partidos têm atuado muito bem em conjunto. "PT e PMDB podem exibir resultados afirmativos da aliança de sustentação da presidente. Entendemos que é necessário manter essa coligação para 2014. Não há por que mudar."

Em 2018, prevê Moreira Franco, o PMDB estará preparado para lançar um candidato próprio à Presidência da República. "O PMDB tem uma herança muito forte para mostrar. Está presente em todo o Brasil e não tem dono."

Ao contrário do PMDB, o PSB prefere ficar na moita quando o assunto é 2014. Não quer expor seu potencial candidato, Eduardo Campos, a vice ou à cabeça de uma chapa. "Nosso objetivo concreto é fortalecer a aliança com a presidente Dilma e aumentar nossa bancada em 2014. Também queremos manter nossos seis governadores e eleger mais alguns. Fora isso, é tudo especulação", disse o vice-presidente do partido, Roberto Amaral.

Ele afirmou ainda que seu partido não dará a chance para que pensem que é comandado por tolos. "Se acham que vamos entrar nessa disputa aí, não nos conhecem. De 2014 falaremos em 2014", ressaltou.

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