Ed Ferreira/Estadão
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PMDB discute indicação de Eduardo Cunha para presidência da Câmara

'O PMDB tem condições de construir acordos e promover a harmonia da Casa", justifica o deputado Danilo Forte (CE)

Daiene Cardoso e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 17h26

Após a vitória apertada da presidente Dilma Rousseff, o PMDB reunirá sua bancada na Câmara dos Deputados na próxima quarta-feira (29) para definir como será a relação com o Palácio do Planalto de agora em diante. No encontro, os peemedebistas baterão o martelo sobre a indicação do atual líder da bancada, Eduardo Cunha (RJ), para a presidência da Câmara na próxima legislatura.

"Eduardo Cunha é o candidato", resumiu o deputado Lúcio Vieira Lima (BA). "A presidência da Câmara tem de ser consequência de uma política de acordo. O PMDB tem condições de construir acordos e promover a harmonia da Casa", justificou o deputado Danilo Forte (CE).

Os deputados dizem que, após a indicação de Cunha, buscarão o apoio dos partidos da base aliada, mas avisam que estão dispostos a compor com a oposição se não houver apoio dos governistas ao peemedebista. "Não cabe ao Planalto decidir (quem presidirá a Câmara)", disse Forte. 

Aliado do vice-presidente Michel Temer, o deputado Edinho Araújo (SP) pregou a união do partido e o diálogo para que se garanta a governabilidade e a aprovação das reformas defendidas pela presidente Dilma. "Temos de desarmar os palanques e os espíritos", defendeu. "Há uma necessidade que o partido esteja unido para ter força. Não existe uma liderança natural e o PMDB não saiu desta eleição como vinha em outras eleições", comentou Vieira Lima.

Araújo pedirá que a bancada ouça a opinião de Temer antes de fechar questão sobre Cunha. O PT, por ser o maior partido da Casa, tem direito a indicar o novo presidente. Em 2006, PT e PMDB fizeram um acordo de revezamento no comando da Câmara a cada biênio. "É um despropósito (o PMDB) pleitear essa presidência", disse Araújo.

Diálogo. Apesar da insistência na presidência da Câmara, os peemedebistas dizem que, passado o processo eleitoral, é preciso agir com a responsabilidade de quem garantirá a governabilidade. Os parlamentares do PMDB vão reivindicar mais diálogo com o Executivo e participação no governo. "O diálogo não conserta o passado, mas pode criar novas perspectivas para o futuro", disse Danilo Forte.

"O governo vem enfraquecido. O Congresso Nacional assumiu um papel importantíssimo, diferente de 2010. Na legislatura passada, a Dilma veio com uma votação muito grande e tinha força para passar o rolo compressor. Só depois que começou a ter dificuldade que ela começou a negociar", lembrou Vieira Lima.

O encontro desta quarta-feira servirá para homenagear o presidente da Câmara e candidato derrotado ao governo de Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves (PMDB), e discutir a agenda de votações para as próximas semanas. Os peemedebistas defendem a votação da PEC do Orçamento Impositivo e da PEC que aumenta os repasses da União para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Está previsto um jantar de boas vindas nesta terça (28) aos parlamentares que assumirão mandato na próxima legislatura. Os novatos também participarão da reunião da bancada.

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