PMDB curva-se ao PT e levará pontapé, diz Jobim

Ex-ministro constrange correligionários ao fazer críticas explícitas sobre partido em fórum que discutiu as eleições

DENISE MADUEÑO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2012 | 03h00

O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim partiu para o ataque aos seus correligionários em palestra no fórum promovido pelo PMDB para discutir as eleições municipais de 2012. Jobim provocou a cúpula partidária pela falta de posição frente aos principais projetos do País.

As declarações de Jobim causaram um constrangimento visível no encontro repleto de autoridades peemedebistas, incluindo o vice-presidente da República, Michel Temer, o presidente da legenda, senador Valdir Raupp (RO), e os líderes dos partidos na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e no Senado, Renan Calheiros (AL).

"A sobrevivência do PMDB está dependendo de termos cara e voz. Quem não tem cara e voz curva-se e quem se curva leva um pontapé", disse Jobim. "Porque não temos opinião, Michel (Temer), nos tornamos homologadores. Nos cobram lealdade de posições das quais não participamos", sentenciou.

Na linha de cobranças, Jobim disse que "ter posições é correr risco" e que a última vez que o PMDB correu risco foi com a candidatura de Ulisses Guimarães à Presidência da República, em 1989, defendendo indiretamente uma candidatura própria do PMDB em 2014. Coube a Temer responder a Jobim em um discurso feito na maior parte do tempo de costas para o ex-ministro.

"Não podemos negar as qualificações políticas do PMDB. Temos tido programas sim", afirmou. Temer citou o novo Código Florestal e o projeto que criou a aposentadoria complementar do servidor público como exemplos de programas do PMDB que foram levados à frente. Para Temer, as "divergências internas é que fizeram o PMDB crescer".

O vice-presidente afirmou que o partido deve se preocupar agora com eleições municipais para só depois tratar da Presidência da República. A segunda preocupação, segundo Temer, é ter o controle das duas Casas do Congresso Nacional.

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