PMDB cria banda de popularidade para decidir se fica com Dilma

Principal aliado dá prazo de 3 meses para petista se recuperar de desgaste e alcançar patamar de 33% nas pesquisas

DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h09

Desnorteado diante da queda na popularidade presidencial e da dificuldade de diálogo com a presidente Dilma Rousseff, o PMDB estabeleceu internamente um "prazo" e uma meta para manter viva a aliança com a petista. Ela terá três meses para alcançar - e manter - ao menos 33% das intenções de voto.

Membros do alto escalão do partido aliado avaliam que este seria um patamar razoável para que ela se mostre suficientemente competitiva, com chances reais de vencer a disputa de 2014 e, assim, dividir novamente o poder com o PMDB.

Os pemedebistas avaliam que, apesar da queda nas pesquisas, Dilma está "sangrando", mas não está "morta", e que a conjuntura atual ainda está "contaminada" pelas manifestações populares que tomaram conta do País no último mês.

Caneta. Já é consenso na legenda que o governo, com a caneta na mão, possui instrumentos para conseguir reverter o quadro hoje decadente. Porém, consideram impossível Dilma recompor a imagem de "gerentona eficiente" perante os eleitores e precisará de um novo mote para refazer sua imagem. Interlocutores da presidente discordam desta avaliação. "Quando a economia melhorar, ela vai recuperar a fama de boa gestora", afirmou um dos braços direitos da governante.

O fato é que, por pior que esteja o contexto, o PMDB ainda não identificou nenhum outro candidato com chances possíveis de ocupar a Presidência e o PT ainda continua sendo a melhor opção. Por isso, chegou-se à necessidade de estabelecer um prazo para que a presidente dê a volta por cima.

O Palácio do Planalto já foi informado de que existe uma ala dentro do PMDB, liderada pelo deputado federal Eduardo Cunha (RJ), que trabalha para o esgarçamento irreversível da aliança com o Partido dos Trabalhadores para as próximas eleições. A intenção de chegar ao rompimento é dar independência a candidatos a governador para formarem alianças estaduais com o partido que bem entenderem.

A presidente ouviu o diagnóstico e admitiu saber que este é o real cenário. Mas para ajudá-la a acalmar o grupo dissidente, Dilma conta com o apoio incondicional de seu vice-presidente, Michel Temer. Além de cumprir seu papel de aliado fiel, Temer sabe que só continuará no poder se o PT lançar Dilma novamente como presidenciável.

Se a crise sair do controle e a ala petista que luta pelo movimento "Volta, Lula" emplacar, o nome escolhido pelos petistas certamente será outro e Temer estará fora do jogo eleitoral.

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