PMDB 'convoca' Paes para ajudar na sucessão de Cabral

Prefeito do Rio, menos desgastado nos protestos que o governador, aceita participar de agenda de rua do vice Luiz Pezão

WILSON TOSTA / RIO , O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2013 | 02h19

Com o governador Sérgio Cabral desgastado por manifestações que chegaram a pedir seu impeachment, o comando do PMDB no Rio resolveu recorrer ao prefeito Eduardo Paes, também peemedebista, para promover a pré-candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão à sucessão estadual.

Paes, segundo o presidente estadual do partido, Jorge Picciani, vai intensificar as agendas de rua ao lado de Pezão na capital, como já fez no fim da semana passada na zona oeste. Ao que tudo indica, Cabral adotará atitude mais discreta em eventos no Rio para não "contaminar" seu vice.

A participação do prefeito ao lado de Pezão não é novidade, mas, avisa Picciani, será intensificada. "A novidade é gastar um pouco mais de sola de sapato", declarou. "Como coordenador de campanha do PMDB, começo a colocar na rua a força política do partido", disse.

Com as manifestações do fim do primeiro semestre, a popularidade de Paes, como a de outros governantes, caiu. Porém, mesmo com o tombo de 20 pontos porcentuais detectado pelo Ibope, sua situação é melhor que a de Cabral, que, além de despencar nas pesquisas, virou alvo da campanha "Fora, Cabral".

Assim, o PMDB, que administra tanto o Estado quanto a prefeitura do Rio, aparentemente mudou de estratégia: Paes passa a ser o principal cabo eleitoral de Pezão na capital. O governador, no entanto, tem levado o vice a cidades da periferia e do interior, onde seu desgaste é menor do que na capital fluminense.

Desgaste. A popularidade de Paes, porém, começa a ser testada em maior profundidade. Um dos desafios é a greve dos professores municipais, categoria com tradição de organização de mais de 30 anos, que promove protestos quase diários contra Paes e Cabral.

Moradores de comunidades afetadas por obras da prefeitura também têm direcionado suas reclamações ao prefeito. No fim de semana passado, promoveram vigília de 17 horas na porta da sua residência oficial, na Gávea Pequena, protestando contra remoções.

Apesar de contar com apenas um membro da oposição, outra possível fonte de desgaste para Paes é a CPI dos Ônibus da Câmara Municipal, que teve início na semana passada. Curiosamente, mesmo os manifestantes que ocuparam o Legislativo municipal por 12 dias pediram a saída do governador do cargo.

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