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PMDB aumenta a pressão

A batalha pela supremacia na base de sustentação do governo já inseriu na agenda parlamentar o fim do sistema de rodízio para as presidências das duas casas do Legislativo, ambas hoje sob o comando do PMDB. Essa luta de bastidor, além da instabilidade que produz para o Executivo, alcança a pauta interna dos principais partidos da aliança, num cenário agravado pela antecipação da campanha eleitoral de 2014.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2013 | 02h05

Embora seus próprios cálculos indiquem que o rival, PT, sairá das eleições com uma bancada majoritária de 110 deputados contra 90 seus (maior que a diferença em 2010, de oito deputados) o PMDB acredita que poderá impor sua permanência na presidência da Câmara no biênio 2015/2017, com a reeleição de Henrique Eduardo Alves ou sua substituição por outro representante da legenda. E vai forçar a quebra do acordo de rodízio, que garante o revezamento dos dois partidos no poder desde 2007.

O partido sustenta três pontos para respaldar sua confiança nessa possibilidade, apesar da inferioridade numérica: o isolamento do PT no Congresso, onde não dispõe do seu trânsito junto às demais bancadas, a renovação da aliança que lhe garante a Presidência da República e o fato de o regimento interno da Casa, ao contrário do Senado, não garantir a indicação para o cargo à maior bancada.

A estratégia é manter o duplo comando do Congresso, já que no Senado o partido acredita que manterá a vantagem numérica sobre o PT , o que lhe garante a precedência. O cenário futuro explica a postura mais amena do atual presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), com o governo, em comparação com a de seu par na Câmara dos Deputados, Henrique Alves.

Renan ainda investe no apoio do PT à candidatura de seu filho, de mesmo nome, ao governo de Alagoas, para manter a perspectiva de sua reeleição e conquistar duplo poder - federal e regional. O PT resiste, não só porque a fórmula o retira da disputa pelo Senado, como também porque as chances de Renan Filho no Estado são mínimas em relação ao pai. A disputa tomou conta da campanha interna do PT que deverá reeleger Rui Falcão presidente da legenda com o apoio do ex-presidente Lula. Seus opositores têm como bandeira principal a crítica às concessões feitas ao PMDB na aliança nacional e na composição das chapas estaduais.

Luta inglória que esbarra na oposição de Lula, empenhado em garantir a ampliação das bancadas na Câmara e Senado (principalmente neste), cedendo ao PMDB a primazia nos Estados, o que explica a mão de ferro no Maranhão e no Rio, onde submete o partido aos interesses de Sarney e Sérgio Cabral, apesar do desgaste de ambos.

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