PMDB aproveita acirramento da disputa ao Planalto para se cacifar

Partido aliado pretende valorizar seu papel no governo Dilma e fala em lançar mais nomes nas disputas estaduais

DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h04

O PMDB vai aproveitar a alta temperatura política entre os pré-candidatos à Presidência para tentar se cacifar. Quer mostrar mais seu papel no governo Dilma Rousseff, no qual ocupa a Vice-Presidência com Michel Temer e cinco ministérios. Esse já será o tom do programa partidário de dez minutos que vai ao ar no dia 28, em cadeia nacional.

Na convenção prevista para o dia 2 de março, os líderes da agremiação também vão prometer aos correligionários privilegiar as candidaturas próprias nas eleições estaduais. "Queremos lançar em 2014 ao menos 20 nomes próprios, de norte a sul, ainda que (isso) choque com os interesses PT", disse o presidente do partido e senador Valdir Raupp (RO). O modelo de cabeça de chapa defendido agora, a mais de um ano e meio da eleição, será incentivado, prometem os peemedebistas, mesmo onde não houver chances reais de vitória.

Essa seria uma plataforma para, segundo promete Raupp, retomar a maioria na bancada da Câmara dos Deputados, manter a maioria no Senado e emplacar mais governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores e, em 2018, lançar um nome próprio para a Presidência da República.

No mínimo. Fontes do partido admitem que não aceitarão menos que a Vice-Presidência na chapa de Dilma em 2014 e, caso isso não aconteça, consideram possível um racha também na composição nacional. Raupp diz acreditar no repeteco Dilma e Temer e afirma não trabalhar com outra hipótese. Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que isso, de fato, ocorrerá, segundo o presidente da Câmara, Eduardo Henrique Alves (PMDB-RN), que esteve reunido em São Paulo com o petista.

Os peemedebistas afirmam em conversas informais que os petistas são ingratos. Apesar do posto de vice, dos cinco ministérios e do apoio nas eleições de Alves na Câmara e de Renan Calheiros (PMDB-RN) no Senado, argumentam que o PT ainda não pagou a conta pelo gesto do deputado federal Leonardo Quintão (MG), que desistiu de concorrer à prefeitura de Belo Horizonte para apoiar Patrus Ananias (PT), que acabou derrotado. Acusam ainda a demora para entregar o prometido Ministério da Ciência e Tecnologia para Gabriel Chalita - alguns peemedebistas, inclusive, já mudaram de ideia quanto a Chalita e querem em seu lugar alguém de Minas, como contraponto ao tucano Aécio Neves, senador que é pré-candidato à Presidência pela oposição. Os peemedebistas afirmam que precisam reafirmar sua posição política no Estado.

Por enquanto, as insatisfações não foram verbalizadas a Dilma.

Regionais. "Os futuros candidatos aos governos de Estado já estão com ampulheta na mão, vendo a areia cair", descreve um peemedebista que se encontra nesta exata situação, mas não quer ter o nome divulgado. Para ele, os ministérios hoje do PMDB "não ajudam a eleger nem vereador" e nem mesmo a Vice-Presidência de Temer ou os postos de comando no Congresso servem para transferir prestígio ao partido regionalmente. "Demitir funcionário do Senado é discurso?", pergunta esse mesmo peemedebista, referindo-se a reformas administrativas anunciadas por Renan. "Essa história de palanque compartilhado não existe mais, vimos que não dá certo, precisamos deixar de ser subalternos ao PT. Os candidatos a governador estão de olho em suas sobrevivências e isso implicará em dissidências e alianças alternativas."

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