PMDB apela a Dilma e Lula para deter planos do PT no Rio

Partido vai discutir em convenção amanhã se retira apoio à presidente caso Lindbergh se lance candidato a governador

BRASÍLIA, RIO, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2013 | 02h06

A presidente Dilma Rousseff ouviu um apelo do vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, para que ajude a solucionar o conflito com o PT no Estado. O pedido foi feito na noite de quarta-feira, durante jantar na casa do vice-presidente, Michel Temer. No mesmo dia, em jantar na casa do governador Sérgio Cabral (PMDB), com a presença do prefeito Eduardo Paes (PMDB), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu um rosário de queixas dos peemedebistas ao comportamento do senador petista Lindbergh Farias, pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro.

O PMDB fluminense quer aprovar em convenção, amanhã, moção que proíbe o apoio a Dilma, em 2014, onde o PT tiver candidato contra o partido.

A proposta reflete o clima de guerra entre os dois aliados, mas muitos duvidam que um texto com esse teor seja aprovado. Em um momento de impasse na relação com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e com problemas no Rio batendo à porta do Planalto, Dilma irá à convenção do PMDB, em Brasília. Em seu discurso, destacará a importância do PMDB para a governabilidade e pregará a manutenção da aliança por muitos anos, segundo apurou o Estado.

Candidato do PMDB ao governo fluminense, Pezão disse à presidente em conversa reservada, no jantar, que o partido não aceitará a disputa com Lindbergh.

A candidatura petista é considerada por dirigentes do PMDB como uma afronta à aliança e um obstáculo real para 2014. "Eu não vou desistir de minha candidatura. Nem existe pedido para que eu retire o meu nome", afirmou o senador Lindbergh.

O presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, disse que Lindbergh e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, têm "atitudes de calhordas" ao afirmarem que o pré-candidato petista não fará oposição a Cabral. O deputado petista Luiz Sérgio refutou o peemedebista dizendo se tratar de "posição de arrogância, de como não se deve fazer política".

Apesar das cobranças a Dilma e Lula, os dois encontros transcorreram em clima amistoso. "Lula, Cabral e Eduardo Paes continuarão a ter uma ótima relação, mas a briga no andar de baixo vai continuar", disse Picciani.

Ministérios. Embora a reforma ministerial fosse o assunto preferido de nove entre dez rodas parlamentares no jantar do PMDB em Brasília anteontem, a presidente Dilma Rousseff conduziu a conversa por temas leves e "entrevistou" alguns convidados sobre como é o convívio com os netos. Aproveitou para se gabar sobre as travessuras do seu, Gabriel, de dois anos.

Dilma cumprimentou os cerca de 100 convidados do jantar, incluindo nessa lista o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP). Ele era cotado para comandar o Ministério de Ciência e Tecnologia na reforma que a presidente fará na equipe, mas seu nome foi descartado após denúncias sobre fraudes na Secretaria da Educação de São Paulo quando ele ocupava o cargo. / VERA ROSA, TÂNIA MONTEIRO e LUCIANA NUNES LEAL

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