Andre Dusek/AE - 22.11.2011
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Plano eleitoral na Bahia deve tirar Gabrielli da Petrobrás

Petista quer disputar Prefeitura de Salvador; a diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Foster, já é apontada como a nova presidente da estatal

Mônica Ciarelli, de O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 03h07

RIO - Depois de meses de especulações, o comando da Petrobrás, maior empresa brasileira, deve mudar de mãos em fevereiro, segundo fontes do setor. Com aspirações na política da Bahia e embalado pela influência do governador Jaques Wagener (PT), o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, passaria o cargo para a diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Foster.

As especulações sobre a saída de Gabrielli e a ascensão de Maria das Graças começaram no ano passado. Em dezembro, durante um café da manhã com jornalistas, o presidente da estatal chegou a negar que seria candidato a Prefeitura de Salvador nas eleições deste ano.

Segundo fontes, o alvo de Gabrielli sempre foi o governo baiano em 2014. Por isso, ele estaria buscando um cargo executivo no governo de Jaques Wagner para consolidar seu nome no Estado.

Indicado pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Gabrielli entrou na Petrobrás em 2003 como diretor financeiro. Na época, sua nomeação causou desconfiança no mercado, que considerava seu perfil acadêmico demais para o cargo.

Em dois anos, virou o jogo com os investidores e conquistou prêmios internacionais, como do jornal New York Times. Quando assumiu a presidência da empresa, em 2005, o cenário já era bem mais favorável para o executivo.

Mas, segundo fontes, Gabrielli vem pautando seu trabalho na estatal como um trampolim para uma carreira política. Desde meados do ano passado, o executivo passou a ter uma agenda de candidato na Bahia, participando de várias reuniões com políticos locais e assistindo a cerimônias cívicas.

Tradicional festejo de meio de ano em todo o Brasil, o São João teve patrocínio da Petrobrás em 169 municípios no Nordeste - 142 só na Bahia. A ajuda financeira em seis Estados nordestinos (Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte) foi de R$ 10,6 milhões, dos quais R$ 8,5 milhões destinados à Bahia.

Carreira. A opção por Maria das Graças para o cargo não surpreende. Além de amiga da presidente Dilma Rousseff, a executiva tem um perfil técnico. Seu nome chegou a ser cotado para assumir um ministério no início do governo Dilma. Conhecida por ser dura nas negociações, ela entrou na Petrobrás como estagiária em 1978 e chegou a ser uma das primeiras mulheres a trabalhar "embarcada" nas plataformas de petróleo em alto-mar.

 

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