O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h05

A largada da corrida pela reeleição de Dilma Rousseff foi dada ontem com o discurso do fim da miséria, mas a estratégia de comunicação para construir mais marcas de governo engatinha. Com a bandeira ética do PT maculada após as condenações do mensalão, Dilma vai apostar na "faxina" feita no início de seu governo. Quer, com isso, emplacar a imagem de um governo que não deixa roubar. Não é à toa que, embora os condenados do mensalão sejam esperados no ato político de hoje, não há desagravo programado. "Não dá para a gente fingir que não viu o erro, mas também não dá para ficar se martirizando nem ajoelhando no milho em praça pública", diz o governador da Bahia, o petista Jaques Wagner.

Foi para "vender" uma agenda positiva na véspera do ato petista que o marqueteiro João Santana acertou com Dilma a data da cerimônia para anunciar a retirada de 22 milhões de brasileiros da miséria. Trata-se de um discurso que renderá aplausos a ela e ao ex-presidente Lula na noite de hoje.

Na campanha de 2002, Lula usava todos os encontros com petistas para bater na tecla do acerto. "Não podemos errar", insistia. Após as condenações do mensalão, ele calibrou o tom para dizer que, no governo do PT, as instituições funcionam. "Ninguém é mais ético do que nós", costuma afirmar o ex-presidente. "No nosso governo, as pessoas são julgadas. No deles, se escondiam."

Ao falar "deles", Lula se refere aos tucanos. Na cartilha intitulada O decênio que mudou o Brasil, o PT compara, mais uma vez, os projetos de Lula e Dilma, chamados de "desenvolvimentistas", com a gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002), carimbada como "neoliberal". É com o PSDB, e não com o PSB, que os petistas preveem o mais duro confronto, em 2014.

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