Planalto se prepara para mais manifestações

Visita do papa no final do mês e comemoração do Dia da Independência, em setembro, podem incentivar protestos

Débora Bergamasco / Brasília, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2013 | 02h04

O Palácio do Planalto já se prepara para mais protestos. O temor é que manifestantes voltem às ruas durante a visita do papa Francisco ao Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude, que começa dia 22 de julho, e nas comemorações do Dia da Independência, em 7 de setembro.

No caso da visita do Papa, a visibilidade internacional é chamariz para manifestantes - uma situação que ocorreu nas partidas da Copa das Confederações.

A avaliação do governo é que não há o que fazer especificamente para minimizar possíveis impactos de eventuais manifestações. Para o governo, esse cenário acaba sendo negativo, já que o Planalto torcia por um período de calmaria que permitisse estancar a queda de popularidade da administração de Dilma, apontada pelas últimas pesquisas de opinião. Logo depois do início dos protestos em junho, pesquisa feita pelo Instituto Datafolha apontou uma queda de 27 pontos porcentuais na avaliação positiva do governo Dilma. Na primeira semana de junho, 57% achavam ótima ou boa a gestão da presidente. Em três semanas, esse indicador despencou para 30%.

Dilma não foi a única política contaminada pela crítica dos entrevistados pelo instituto de pesquisa, já que outros administradores, como o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, também perderam bastante popularidade. No caso do governador do Rio, os protestos chegaram a ser feitos em frente à sua residência particular, no Leblon, e na sede do seu governo.

Na avaliação de assessores da presidente, a resposta de Dilma foi dada através das propostas apresentadas logo em seguida para a população, como a ideia de defender a aprovação de uma reforma política para valer já nas eleições do próximo ano.

A resistência do Congresso a aprovar alguma mudança nas regras do jogo, num período tão próximo das eleições, implodiu as chances da reforma de avançar imediatamente. No Planalto, entretanto, existe o entendimento de que funcionou a estratégia de marcar posição por mudanças nos hábitos políticos e no combate à corrupção. Nesse caso, a presidente teria feito sua parte deflagrando o debate por mudanças no sistema político, mas não teria como passar por cima da vontade do Congresso.

Para reforçar esse ponto, o governo tem como estratégia apoiar o projeto de reforma que deverá ser enviado ao Congresso por iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil, que pro˜põe mudanças na legislação eleitoral já para as eleições de 2014.

O problema é que o diagnóstico otimista do Planalto ainda não se traduziu em números nas pesquisas sobre a imagem do governo e a preferência do eleitorado. Com os possíveis novos protestos no horizonte, essa expectativa por uma reação de Dilma corre o risco de não se concretizar.

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