O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2012 | 03h05

A presidente Dilma Rousseff e seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, estão incomodados com versões de que a condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, no julgamento do mensalão, seria boa para o governo. O assunto foi tratado na conversa entre Lula e Dilma, anteontem, no escritório da Presidência da República, em São Paulo.

Não foi à toa que, um dia depois desse encontro, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, condenou os que fazem análises precipitadas sobre o julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal.

Decepção. Ao romper o silêncio do Palácio do Planalto sobre o tema, Carvalho foi taxativo: disse que quem aposta em "desconstrução" do governo, como em 2005, e em prejuízo eleitoral para o projeto petista vai se decepcionar.

Ex-chefe de gabinete de Lula em seus dois mandatos, Carvalho tem ótimo trânsito nas fileiras do PT. Embora tenha se esquivado de responder a perguntas específicas sobre Dirceu, ele deixou claro que o Planalto não quer a cabeça do ex-ministro. Ao contrário.

Dilma considerou absurda, durante almoço com Lula, a tese de que torce pela punição dos réus do PT, e principalmente de Dirceu, para evitar o fortalecimento de uma ala do partido que deseja a volta do ex-presidente, em 2014. Hoje, ela é candidata natural à reeleição.

A avaliação predominante no Planalto é que uma condenação de Dirceu pelo Supremo significa a condenação moral da Era Lula. Uma derrota para o ex-presidente pode atingir o PT nas eleições e o governo do PT.

Em conversas reservadas, ministros afirmam que, mesmo se for absolvido e conseguir anistia na Câmara dos Deputados, Dirceu não lutará para tirar Dilma do Planalto. Nem teria força para isso. Já o PT fará tudo o que Lula quiser em 2014. Até aqui, o jogo dele sempre foi combinado com Dilma.

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