Planalto pede a petistas moderação nas críticas ao Supremo

Governo quer evitar ataques diretos à Corte em desagravos aos réus condenados; radicais fazem ato em São Paulo

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h01

Integrantes do governo pediram a dirigentes do PT que evitem ataques diretos a ministros do Supremo Tribunal Federal nos atos de desagravo aos réus petistas no processo do mensalão. Embora a presidente Dilma Rousseff mantenha distância regulamentar do escândalo, há no Palácio do Planalto a preocupação com o que está por vir e não se recomenda a revanche política.

Em conversas reservadas, ministros petistas dizem que "o julgamento ainda não terminou" e lembram a possibilidade de recursos à sentença. Os advogados do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares já anunciaram que tentarão diminuir as penas impostas pelo tribunal. Dos três, a pena de Dirceu soma o maior tempo: 10 anos e 10 meses.

Apesar da cautela do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva incentivou as manifestações, antes de viajar para a África e a Índia. Lula disse a Dirceu e a Genoino que é hora de os movimentos sociais mostrarem apoio a eles e deu sinal verde para os debates públicos sobre o julgamento. Dirceu já compareceu a reuniões a portas fechadas em Salvador e em Brasília e agora participará de encontros em São Paulo e no Rio.

Depois da plenária de ontem em Osasco, organizada pelo deputado João Paulo Cunha (PT-SP) - ex-presidente da Câmara, condenado pelo Supremo por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro -, correntes da extrema esquerda petista promoverão hoje, em São Paulo, o "Ato em Defesa do PT".

Todos os réus do partido no julgamento do mensalão foram convidados, mas, até ontem, apenas Genoino havia confirmado presença. "Nós achamos que não há mártires nessa história e não estamos fazendo um desagravo. Mas não podemos aceitar o ataque ao PT, alvo dessa sentença que repudiamos", disse Markus Sokol, dirigente da tendência O Trabalho.

'Exceção'. No panfleto de convocação para o ato de hoje à tarde, com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), os signatários afirmam que os direitos democráticos foram "agredidos" pelo STF num "julgamento de exceção".

"Nós repudiamos o 'julgamento de exceção' que pretende preservar a regra, isto é, o sistema político-eleitoral marcado pela corrupção, pelo caixa dois e o tráfico de influência, instituição que, ademais, empurra a despropositadas coalizões na lógica do 'balcão de negócios' do Congresso Nacional", diz o texto petista. Na lista de críticas ao tribunal, os manifestantes afirmam que o STF é "o mesmo (...) que utiliza a Lei da Anistia para proteger os crimes da ditadura militar".

Embora o Planalto tenha recomendado cautela nesses atos, o deputado distrital Chico Vigilante ( PT) contou que os amigos de Dirceu e de Genoino pretendem fazer barulho para demonstrar o "inconformismo" com a sentença do STF. "Nós não vamos ficar quietos", avisou.

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