Planalto faz proposta para esvaziar greve

Aumentos de 15,8% atingem a metade das 36 categorias paradas; Polícia Federal, insatisfeita, promete agora a 'operação sem padrão'

DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h06

O governo apresentou um pacote de aumento de 15,8% para 18 categorias de servidores públicos a fim de esvaziar as paralisações. Após uma semana com negociações em marcha lenta, a nova proposta atende 50% das 36 categorias paradas - consideradas as carreiras de base, o chamado "carreirão". Em outro nível de negociação, professores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) decidiram pela volta das aulas.

Embora o governo considere encerradas as negociações com as universidades, a greve permanece em 53 das 59 federais do País. Outras instituições anunciaram ao longo da semana que deixaram o movimento: as Universidades de São Carlos (UFSCar), do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Instituto Federal de Educação Profissional e Tecnológica do Paraná (IFPR) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em Guarulhos.

A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que representa as 18 carreiras que negociaram com o governo na manhã de ontem, destaca que as paralisações serão mantidas até que a proposta do governo esteja finalizada. Hoje, uma nova reunião vai decidir como o reajuste oferecido será aplicado a cada categoria. "Vamos trabalhar uma proposta que tira o peso da gratificação de desempenho, jogue para o vencimento básico o valor nominal de aumento ainda não definido", destacou o coordenador geral da Confederação, Josemilton Costa. O resultado do encontro será levado às bases e só então haverá uma decisão sobre a continuidade da greve.

Polícia Federal. Os delegados da Polícia Federal, que não estão em greve - eles pararam as atividades por 24 horas na semana passada -, mas pedem 30% de reajuste salarial, também se reuniram ontem com o secretário de relações do Trabalho do Planejamento, Sérgio Mendonça.

Eles, no entanto, saíram insatisfeitos. Os delegados também receberam a proposta de 15,8%, mas destacaram que esse índice não corrige nem a inflação. A proposta será analisada pelas entidades e uma resposta será dada na próxima semana.

Em resposta à determinação do Superior Tribunal de Justiça, que proibiu a realização de operações-padrão após transtornos em aeroportos do País, policiais federais em greve há quase duas semanas prometem rigor zero nas fiscalizações no início da próxima semana. Em vez de fiscalizar todas as bagagens e cargas, causando lentidão nos portos, aeroportos e fronteiras, a categoria deverá protestar permitindo até mesmo a passagem de pessoas sem vistoria, no que chamaram de "operação sem padrão", como disse vice-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Paulo Polônio.

De acordo com dados do Ministério do Planejamento, os agentes da Polícia Federal reivindicam reajustes de R$ 7,5 mil para R$ 18,8 mil nos salários iniciais e de R$ 11,8 mil para R$ 24,8 mil nos salários dos delegados de fim de carreira.

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