Planalto dá cargo para manter PTB na base aliada

Argello será indicado ministro do TCU com intuito de deixar partido longe de Eduardo Campos; Temer filia empresário do PSB ao PMDB

João Domingos, de O Estado de S.Paulo

17 Abril 2013 | 02h03

BRASÍLIA - Para impedir que o PTB deixe a base do governo e se alie ao governador Eduardo Campos (PSB), potencial candidato à Presidência em 2014, o Palácio do Planalto negociou a indicação do líder do partido no Senado, Gim Argello (DF), para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

O PTB vinha se queixando de ser um dos únicos partidos da base aliada a não ter um ministério. Deverá se contentar com a vaga no TCU. Em outra frente, o vice-presidente Michel Temer mobilizou-se para filiar ao PMDB o empresário José Batista Junior. Júnior, que é sócio do Frigorífico Friboi, era do PSB de Goiás e seria candidato a governador do Estado para auxiliar Eduardo Campos num eventual projeto nacional em 2014.

Suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PSC-DF), que renunciou ao mandato em 2007 para fugir de um processo de cassação, Argello ganhou mais de sete anos de mandato de senador. Agora, com a aposentadoria próxima do ministro Valmir Campelo - ex-parlamentar de Brasília pelo PTB -, caberá ao Senado indicar o novo titular do TCU. O candidato do governo é Argello. Ele se aproximou da presidente Dilma Rousseff após chegar ao Senado. O cargo de ministro do TCU é vitalício.

Almoço. O empenho do governo para evitar que Eduardo Campos se aproxime de partidos aliados pôde ser constatado ontem, durante almoço entre o governador e o bloco de senadores do PTB, PR, PSC e PPL. Dos 12 senadores do colegiado, somente seis compareceram: o próprio anfitrião Gim Argello, que chegou atrasado ao seu gabinete onde foi oferecido o almoço, Alfredo Nascimento (AM), presidente do PR, Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), João Costa (PPL), Eduardo Amorim (PSC-SE) e Armando Monteiro (PTB-PE). Este último é aliado de Campos e defende a candidatura do governador em 2014.

"Fui voto vencido", declarou Gim Argello na semana passada, quando questionado sobre o almoço com Campos. Ontem, novamente questionado sobre a reação da presidente Dilma ao encontro com o governador de Pernambuco, justificou-se: "A presidente Dilma não vai ficar com ciúmes desse almoço. Ela me conhece e não vai ficar incomodada. Isso faz parte do jogo politico, temos que conversar com todo mundo".

Na semana que vem o convidado dos encontros da terça-feira ao gabinete de Gim Argello será o vice-presidente Michel Temer, que também é presidente licenciado do PMDB.

Visão nacional. O encontro de Eduardo Campos com o bloco de senadores - do qual só metade apareceu - foi acertado pelo senador Armando Monteiro. "No almoço, ouvimos do governador uma explanação sobre a situação da economia mundial, a recuperação dos Estados Unidos e os problemas enfrentados pelo Brasil, que já não é mais o País onde outras nações aplicam o dinheiro. Elas estão migrando para outros países que oferecem mais segurança jurídica e custos menores, explicou o governador aos que participaram do encontro", disse Armando Monteiro.

Depois do almoço, Campos respondeu ao ex-ministro José Dirceu - condenado a dez anos e dez meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no escândalo do mensalão - que o criticou, usando o slogan do governador, afirmando que "em Pernambuco é possível fazer mais".

Campos disse que não se surpreendeu com a afirmação do ex-ministro: "Não é de hoje que divirjo de Dirceu".

Seu slogan de que "é possível fazer mais", explicou Eduardo Campos, é uma forma de dizer para a população que o atual governo fez muitas coisas, mas que é possível ir além. "Eu saio todo dia para trabalhar pensando em fazer mais", afirmou o governador pernambucano.

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