Planalto avalia que sucessão na pasta é mais complicada

Bastidor: Christiane Samarco

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h03

A sucessão no Ministério do Trabalho é a tarefa política mais complicada para a presidente Dilma Rousseff, em meio à sequência de trocas na equipe ministerial deste ano. E não é apenas a disposição inédita do ministro Carlos Lupi de resistir no cargo às denúncias de corrupção que torna sua situação mais delicada aos olhos do Palácio do Planalto do que as crises que abateram, pela ordem, os ministros da Casa Civil, dos Transportes, da Agricultura, do Turismo e do Esporte.

Diferentemente dos cinco ministros do PT, PR, PMDB e PC do B que já caíram sob suspeita de irregularidade, agora a presidente não tem como recorrer à cúpula do partido de Lupi para mediar a crise e até a substituição, como ocorreu nos casos anteriores. O maior problema para Dilma hoje resume-se à constatação de que o PDT é o próprio Lupi e que é preciso cautela para manter o diálogo com o único interlocutor do governo na legenda. Tudo tem que ser negociado com o ministro que não quer desgrudar da cadeira.

É certo que as denúncias no Trabalho guardam paralelo com as irregularidades levantadas em ONGs que mantinham contratos com o Ministério do Esporte. Também há semelhanças entre o tom utilizado pelo ex-ministro Orlando Silva à certa altura, quando se declarou "indestrutível", e a fala desafiadora de Lupi, sustentando à imprensa que só sairia "à bala" do ministério. Com o PC do B, o Planalto pôde negociar com o presidente da legenda, Renato Rabelo, e com o próprio sucessor de Silva, deputado Aldo Rebelo (SP).

Nem quando as denúncias abateram dois ministros do maior partido da base aliada - os peemedebistas da Agricultura, Wagner Rossi, e do Turismo, Pedro Novais - o risco de a crise comprometer a estabilidade política do governo no Congresso preocupou tanto o Planalto. Afinal, a sucessão na Agricultura foi negociada com o vice-presidente da República, Michel Temer, padrinho de Rossi, assim como no Turismo a troca de Novais pelo deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) foi acertada com o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

No PDT é diferente. Lupi é o presidente de fato da legenda. É por isto que o Planalto gostaria de deixar a sucessão no Trabalho para a reforma ministerial do ano que vem.

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