Planalto arregimenta argumentos contra apetite do PSB

Ideia é barrar as pretensões da sigla de Eduardo Campos de ganhar mais ministérios além dos dois que já tem

TÂNIA MONTEIRO, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2012 | 02h06

O Planalto começou a introduzir nas pretensões do PSB uma "vacina anticargo". Vitorioso no processo eleitoral municipal, o partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi confrontado com um levantamento que mostra que a expansão da legenda ocorreu sob o guarda-chuva do governo federal, principalmente em áreas de atuação do Ministério da Integração Nacional, comandado pelo PSB.

A presidente Dilma Rousseff, que na terça-feira receberá para uma conversa descontraída lideranças petistas e peemedebistas, em seguida deverá receber Campos. Embora no Planalto não se fale em ampliação da presença do partido no primeiro escalão, por considerar que a legenda já dispõe de duas Pastas, Integração Nacional e Portos, a primeira delas classificada pelo governo como "polpuda" em função da sua capilaridade, o PT teme que isso possa ocorrer.

Nos bastidores, dirigentes petistas reconhecem o crescimento do PSB, mas preferem dizer que o partido já está muito bem aquinhoado. Ainda na avaliação petista, as acomodações pós-eleições deveriam se resumir a atender a Gabriel Chalita, do PMDB, considerado peça fundamental na vitória de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, e o PSD, de Gilberto Kassab, como se desenha no Planalto. Eles não gostariam de ver o PSB ampliar seu espaço na Esplanada, mas temem que isso possa acontecer.

O temor existe porque no Planalto entende-se a importância de manter o PSB como aliado, como tem sido até agora. No início da semana, o presidente do PT, Rui Falcão, chegou a comentar que, de fato, o PSB realmente "foi muito bem" nas eleições municipais, mas evitou maiores elogios quando foi questionado. Ele se limitou a responder que, para o PT, é melhor que um partido aliado tenha se saído bem nas urnas do que um da oposição.

Conversa. Campos, que está sendo esperado em Brasília em data ainda a ser marcada, vai conversar com Dilma como presidente do PSB. Após o 2.º turno, o governador apresentou números do crescimento da legenda e fez questão de mandar um recado a Dilma e aos petistas. Em sua fala, deixou a mensagem que "ficou a lição" de que o PSB apoiou mais o PT nessas eleições do que PT apoiou o PSB. Campos lembrou que enquanto o PSB apoiou o PT em 11 cidades, o PT só apoiou o PSB em uma, Duque de Caxias (RJ). "Fica a lição", avisou.

O Planalto sabe que o PSB é um aliado importante. "Não queremos abrir mão do PSB", disse um assessor palaciano. A intenção do Planalto, no entanto, é "monitorar" Campos, mantendo a boa relação atual, apesar de reconhecer que houve estremecimento em virtude da disputa em várias cidades, como Fortaleza, onde o rompimento foi declarado. Campos é potencial candidato à Presidência em 2014 e tudo dependerá do que ocorrer até lá.

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